Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Ermira

4 de junho de 2017, às 18:05h por Samarone Lima

Ela fez 71 anos hoje, a minha mãe. Ela mora em Fortaleza, de onde saí, aos 18 anos, no distante ano de 1987.

Ou seja, vivo distante da minha mãe há trinta anos. Hoje sou um jovem senhor de 48 anos e muitos cabelos brancos.

Recife, São Paulo, Recife novamente, centenas de viagens, países os mais diversos, trabalhos os mais diferentes, amores, dores, casas, mudanças, bairros, quedas e novas realidades, a vida como lâmpadas, queimando e acendendo, ou velas resistindo aos ventos, ou nada. A vida, ardendo, simplesmente sendo.

E sempre estivemos misteriosamente próximos, em telefonemas, cartas, pelo segredo mais intenso do amor – ele, o amor, independe da distância, do tempo. Nunca deixei de senti-la perto de mim, do mesmo modo que piscava o olho para mim, quando eu era pequeno, nos momentos mais difíceis. Aquilo me acalmava como um abraço.

Encontrei uma foto para fazer uma homenagem. Ela está entre o querido mestre Ariano (numa aula que ele deu em Fortaleza) e sua amada irmã, a nossa também amada tia Beta, que morreu ano passado (a tia fazia aniversário exatamente um dia antes da minha mãe).

Fui ver nos meus livros de poesia alguns poemas que cito minha mãe.

Compartilho um que gosto muito, que está no livro A invenção do deserto (Confraria do Vento, 2013):

**

Os Olhos da minha mãe

Os olhos da minha mãe

sempre foram verdes

antes do mar.

Como tudo nela, o excesso contido

o turbilhão povoado de sorrisos

o silêncio batendo nas pedras.

 

Alguns olhares

curtos com um clarão

nos salvam

de alguma morte.

 

Os olhos da minha mãe

me salvaram muitas vezes

quando eu não tinha, ainda

armas, palavras, delicadezas.

**

Com o amor de sempre, povoado de saudades plenas.

ermira e ariano

Postado em Crônicas | 3 Comentários »

3 Comentários

  1. Eduardo Disse:

    Lindo poema, linda mãe. Parabéns!

  2. Leo Neves Disse:

    Olhos (que) sempre foram verdes/ antes do mar: sem dúvida uma pérola; digno de uma mãe. Do caralho Sama.

  3. Leo Neves Disse:

    “Os olhos da minha mãe
    sempre foram verdes
    antes do mar.”

    Os olhos de minha mãe
    nunca foram verdes
    agora são.

    (humilde variação sobre a epígrafe)

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