Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Balanços

24 de dezembro de 2017, às 0:54h por Samarone Lima

No final de ano, há uma pressão psicológica, midiática, quase um circo meia-boca, para o sujeito fazer o balanço do ano, jogar o que não prestou pra fora e planejar o ano que vem na base do “tudo-vai-ser-lindo”. Ou seja: vai parar de beber, fumar, vai fazer menos besteira, vai ser meio Titãs, com aquele papo “deveria ter trabalhado menos, ter visto mais o sol se pôr”. Fiquei na dúvida se esse “por” tem ou não acento, mas depois que tiraram o acento de vôo, tudo é possível.

Eu acho isso de uma cafonice tremenda. Falo dos balanços e mudança de vida radical porque o “ano virou”.

Isso porque acredito em muitas coisas, menos que a passagem de algumas horas, entre o 31 de dezembro de um ano, e o dia primeiro do ano seguinte, vai mudar alguma coisa fundamental. O Temer vai estar lá, organizando seus jantares para arrancar nosso sangue. Os deputados federais de Pernambuco, que votaram contra o povo em todas as sessões, serão rigorosamente reeleitos.

Mas, como sou cafona, vai minha lista de alguns dos melhores momentos de 2017.

1. O professor J.C.Marçal passou em primeiro lugar no concurso da UFRPE.

O bicho é inteligente até umas horas e foi inventar de concorrer a uma vaga. Deve ser no curso de Filosofia, porque o homem é amigo intimíssimo de Heidegger. Tirou o primeiro lugar. Também pudera – o homem dá aula riscando na lousa os temos em grego, do mesmo jeito que faziam Platão e Aristóteles. Lembrar que um veio antes do outro.

2. Consegui alugar uma casa em Olinda, onde funciona meu sebo.

Foi um milagre digno dos melhores momentos da Bíblia. Isso aconteceu em março. O segundo milagre foi chegar ao final do ano com os aluguéis todos em dia.

3. No prêmios literários, fui um desastre.

Fiz uma seleção rigorosa dos novos poemas, deu 45 páginas. Inscrevi em quatro concursos nacionais, inclusive o daqui de Pernambuco. Os prêmios eram na faixa dos R$ 30 mil. Fiquei sonhando com as dívidas todas em dia, vinho bom, viagens, mas dei com os burros n’água. Nem menção honrosa descolei. Fica para 2018 mesmo. O pior é que gastei uma grana boa com xerox, correios etc.

4. Aprendi a postar vídeos no Facebook do sebo Casa Azul.

Sem comentários. Foi um avanço intelectual notável. O próximo passo será aprender a baixar músicas. Sempre, claro, com  ajuda de alguma criança de até seis anos.

5. Isabelitta chegou.

Minha gatinha veio em março e nunca mais saiu. Não tenho a menor dúvida que ela realmente gosta de mim. E vice-versa muito mais.

6. Mais um anos sem papos legais com Déa Ferraz, Emília e Pedoca Chupeta e outras criaturas de “primeira linha”, como diz Seu Vital.

Realmente, fica difícil a vida assim. Quase não encontrei essas pessoas amadas. Isso inclui Cacah Travassos, o velho e  bom Joab, o filósofo do Morro da Conceição, Naná (vi pouquíssimo, desde que me mudei), Seu Vital, Dona Severina, Bita e mais meio mundo de gente.

De Josafá eu não vou nem falar.

7. Este ano não fundei bloco de Carnaval, não lancei nenhum livro, não inventei de ser dono de bar, viajei pouquíssimo e fiquei quieto no meu canto.

Não sei se essa informação é boa ou ruim, mas fica o registro.

8. Praticamente não assisti TV e comprei jornal umas duas ou três vezes, ao longo do ano.

Nas vezes que comprei jornal, me arrependi.

9. Novos amigos brotaram em diversos canteiros: Helder, Vassoura, Erich, Pedro (galera do Sana Beer), Aloma, Dona Irene, Seu Mago, China, Cássio, Natasha, fora os amigos do Santa Cruz, que seguraram uma barra danada (o velho Inácio França, Tiago, Digão, Arthur, Cecília etc). Alírio, grande ser humano, queridíssimo. Sidney Rocha, Amigo do Sebo e dos Negócios, fez também sua parte com louvor.

10. Mais um ano sem carteira assinada. Do jeito que está minha carteira, eu só me aposentaria se fosse um japonês, desses que vivem 110 anos. Como o Temer deve ficar até o final do ano que vem, ele vai querer abolir a aposentadoria. Ou seja, não serei afetado.

11. Mais um ano com a velha dificuldade para comprar roupas.

É uma impaciência íntima. Ir a um local, escolher a roupa, provar. É quase tão chato quanto ir ao banco, ver a situação da conta, e escutar aquelas lorotas do parcelamento em 336 meses. E não sei que diabo existe no Brasil, que até para pagar, nas lojas mais caras (que não é o meu caso), você tem que pegar uma fila imensa.

12. Como em anos anteriores, os amigos seguraram a onda.

Em todos os cantos da minha alma, posso dizer – meus amigos são mesmo foda. Na verdade, estou repetindo o ítem número 9, o que significa “falta de assunto”, enchimento de linguiça etc;

Seguraram minha onda quando a situação apertou para todos os lados. Grana, perrengues da alma, me pouparam das festas de confraternização, me emprestaram dinheiro sem juros, deram conselhos fundamentais. O meu grupo de estudos foi absolutamente precioso. Cacimbinha me deu um vinho tão bom, que só vou abrir mesmo quando Ivanzinho for eleito governador, pelo PSOL. Vai ser uma loucura.

Aos amados leitores, Feliz tudo, em qualquer tempo.

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