Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Aos 49

3 de maio de 2018, às 14:41h por Samarone Lima

… e por esses mistérios da vida, cheguei aos 49 anos. Hoje, dia três de maio, ou ontem, como revelou minha mãe Ermira pelo telefone, diretamente de Fortaleza. Meu nascimento teria ocorrido dia dois de maio, mas o registro, feito pelo meu pai José, ficou para o dia seguinte. Essas coisas da vida.

Vou ter que conversar agora com Kaka Travassos, que fez já dois mapas astrais meus, seguindo as informações sobre o dia três, sem incluir nos cálculos esta meia hora, que pode mudar muito a conjuntura dos astros, a configuração do céu, naquele distante 1969, no Crato.

E descubro, com certa alegria, que não tenho nenhum problema com o avanço paulatino do tempo – que às vezes parece dar saltos. Outro dia cheguei ao Recife, depois de seis anos em São Paulo, era 2.000 e tinha trinta anos, fui dar aulas na Católica. Eu me sentia realmente bem moço, com 30 anos, mas também me sinto agora. A diferença é que a barba está bem grisalha, os cabelos também, e perdi alguns parentes e amigos. Mas as perdas são inevitáveis, e com elas vamos moldando nossas vidas, para talvez desfrutar melhor o belo e o bom, e os que fazem parte de nossas redes de afetos.

Outro dia tinha 18 anos e cheguei ao Recife com uma caixa. Escrevi já um poema sobre isso, no meu “Aquário desenterrado” . Sentia frio, mas não sei se fazia frio na rodoviária. Eu não sabia o que seria da minha vida, numa terra que eu mal conhecia.

“Na rodoviária, sentia frio/não sabia o que sentir/não sabia o meu nome.

Meu coração ainda não era meu”.

Trabalhei em tanta coisa, em várias redações, viajei pela América Latina por conta do mestrado, dei aulas, tive muitos alunos, agora uma parte do meu dia está reservada para fazer pesquisas, botar preço em livros usados, arrumar prateleiras, receber clientes, vender livros usados e organizar o sarau da sexta-feira (ou algum evento de maior monta, como o aniversário de Tereza Costa Rêgo, sábado passado). Isso é tão bom, que vai ser difícil arrumar outra profissão.

 

Pela primeira vez, em muito tempo, vou comemorar esta passagem. Vai ser aqui no Sebo Casa Azul de Olinda (rua 13 de maio, 121, Carmo).

É muita desorganização mesmo. O sujeito nasceu no dia dois, achava que era no dia três e vai comemorar no dia 4/05.

Como diria o velho poeta João Henrique – ”eapois”.

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