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	<title>Estuário</title>
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	<description>Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias &#124; Por Samarone Lima</description>
	<lastBuildDate>Thu, 02 Sep 2010 15:25:17 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Uma ótima notícia sobre Viagem ao Crepúsculo</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 20:58:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Acaba de ser publicado, pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o resultado dos dez finalistas de cada uma das 21 categorias do Prêmio Jabuti, considerado o mais importante prêmio literário do país. &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, o raçudo livro sobre Cuba, lançado pela editora Casa das Musas, em 2009, está entre os finalistas na categoria livro-reportagem. Vejam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acaba de ser publicado, pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o resultado dos dez finalistas de cada uma das 21 categorias do Prêmio Jabuti, considerado o mais importante prêmio literário do país.</p>
<p>&#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, o raçudo livro sobre Cuba, lançado pela editora Casa das Musas, em 2009, está entre os finalistas na categoria livro-reportagem.</p>
<p>Vejam a lista e a reportagem do JC on line:</p>
<p>http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/noticia/2010/09/01/livroreportagem-de-samarone-lima-na-final-do-premio-jabuti-234863.php</p>
<p><strong>::REPORTAGEM<br />
</strong>&#8220;OLHO POR OLHO-OS LIVROS SECRETOS DA DITADURA&#8221; (RECORD) &#8211; LUCAS FIGUEIREDO<br />
&#8220;CONVERSAS DE CAFETINAS&#8221; (ARQUIPÉLAGO EDITORIAL) - SÉRGIO MAGGIO<br />
&#8220;O LEITOR APAIXONADO- PRAZERES À LUZ DO ABAJUR&#8221; (COMPANHIA DAS LETRAS) &#8211; RUY CASTRO<br />
&#8220;A ROTATIVA PAROU!&#8221; (CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA) &#8211; BENÍCIO MEDEIROS<br />
&#8220;ELEIÇÕES NA ESTRADA : JORNALISMO E REALIDADE NOS GROTÕES DO PAÍS&#8221; (PUBLIFOLHA) &#8211; EDUARDO SCOLESE E HUDSON CORRÊA<br />
<strong>&#8220;VIAGEM AO CREPÚSCULO&#8221; (CASA DAS MUSAS) &#8211; SAMARONE LIMA DE OLIVEIRA</strong><br />
&#8220;O MUNDO NÃO É PLANO &#8211; A TRAGÉDIA SILENCIOSA DE 1 BILHÃO DE FAMINTOS&#8221; (EDITORA SARAIVA) &#8211; JAMIL CHADE<br />
&#8220;IMPRENSA E O DEVER DA LIBERDADE&#8221; (EDITORA CONTEXTO) &#8211; EUGÊNIO BUCCI<br />
&#8220;ELES FORAM PARA PETRÓPOLIS- UMA CORRESPONDÊNCIA VIRTUAL NA VIRADA DO SÉCULO&#8221; (COMPANHIA DAS LETRAS) &#8211; IVAN LESSA E MÁRIO SÉRGIO CONTI<br />
&#8220;HONORÁVEIS BANDIDOS &#8211; UM RETRATO DO BRASIL NA ERA SARNEY&#8221; (GERAÇÃO EDITORIAL LTDA) &#8211; PALMÉRIO DÓRIA<br />
&#8220;BINLADENISTÃO- UM REPÓRTER BRASILEIRO NA REGIÃO MAIS PERIGOSA DO MUNDO&#8221; (EDITORA ILUMINURAS LTDA) &#8211; LUIZ ANTÔNIO ARAUJO</p>
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		<title>Já podem comentar</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2010/09/01/ja-podem-comentar/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 20:42:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Amados leitores, O Estuário passou vários dias sem liberar acesso aos comentários (caía sempre no site globo.com). Hoje o problema terminou. O culpado foi um tal de &#8220;Pluguin&#8221;, que pretendo processar. Podem comentar à vontade. Por precaução, vou botar outro texto a mais tarde. Samarone.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amados leitores,</p>
<p>O Estuário passou vários dias sem liberar acesso aos comentários (caía sempre no site globo.com). Hoje o problema terminou. O culpado foi um tal de &#8220;Pluguin&#8221;, que pretendo processar.</p>
<p>Podem comentar à vontade. Por precaução, vou botar outro texto a mais tarde.</p>
<p>Samarone.</p>
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		<title>Homem molhado, vida seca. Ou: &#8220;Os fuzis da senhora Carrar&#8221;</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2010/08/29/homem-molhado-vida-seca-ou-os-fuzis-da-senhora-carrar/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 15:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi um sábado cheio de bondades, esse que a vida me deu. Desde a manhã ao anoitecer, pessoas queridas, descobertas, um bom almoço com o velho amigo Inácio, palestra razoável na Livraria Cultura, café no Bairro do Recife, até que veio o crepúsculo, e decidi. Era o momento de assistir &#8220;Os fuzis da senhora Carrar&#8221;, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-1502" href="http://www.estuario.com.br/2010/08/29/homem-molhado-vida-seca-ou-os-fuzis-da-senhora-carrar/os-fuzis1-2/"><img class="size-medium wp-image-1502 aligncenter" title="os fuzis1" src="http://www.estuario.com.br/wp-content/uploads/2010/08/os-fuzis11-262x350.jpg" alt="" width="262" height="350" /></a></p>
<p>Foi um sábado cheio de bondades, esse que a vida me deu. Desde a manhã ao anoitecer, pessoas queridas, descobertas, um bom almoço com o velho amigo Inácio, palestra razoável na Livraria Cultura, café no Bairro do Recife, até que veio o crepúsculo, e decidi. Era o momento de assistir &#8220;Os fuzis da senhora Carrar&#8221;, de Brecht, sob a direção do velho amigo e mestre João Dênys.</p>
<p>Mais que isso, queria ver em cena a adorável Stella Maris Saldanha, minha amiga de Universidade Católica, que outro dia me entrevistou, aqui em casa, e me fez tirar os poemas das gavetas, ou das caixas.</p>
<p>Pouco antes das 18h, entrei naquele pequeno e aconchegante Teatro Hermilo Borba Filho. Não imaginava que seria inundado por uma emoção tão grande. A beleza do espetáculo, a atuação impecável de todo o elenco, a direção sempre certeira de Dênys e a soberba, deslumbrante presença de Stella, me levaram às lágrimas. Há tempos não sentia isso no teatro.</p>
<p>Ao final, não me contive. Fui ao camarim abraçar os atores. Pedi um autógrafo a Stella e disse aos atores que estavam de parabéns. Não sei como está a vida cênica da cidade, mas sei que temos uma peça extraordinária em cartaz, aos sábados e domingos, às 18h, no teatro Hermilo Borba Filho.</p>
<p>Saí do teatro debaixo de uma chuva fina, com muito vento. Saí lembrando de algumas cenas, de muitas falas, e de um momento especial da peça, em que a senhora Pérez diz à senhora Carrar:</p>
<p>&#8220;Para quem é pobre, não há segurança alguma na vida. Nós somos sempre os que apanham, de um jeito ou de outro. E a essses que apanham sempre é que dão o nome de pobres. E aos pobres, não há providência que salve&#8221;.</p>
<p>Rapidamente fiquei molhado, à espera de um táxi, na esquina, até que parou um ônibus, o Nova Descoberta/Derby.</p>
<p>&#8220;Amigo, passa na Conde da Boa Vista?&#8221;</p>
<p>O motorista, um senhor bigodudo de uns cinquenta e poucos anos, respondeu duro que não, mas disse um &#8220;entra aí, que tu fica lá na frente, aqui é muito ruim com essa chuva&#8221;.</p>
<p>Descobri que o ônibus passaria perto da minha casa. O homem sério e duro disse &#8220;fica aí mesmo, não precisa passar, tu vai já descer mesmo&#8221;, enquanto engatava marchas no Recife debaixo de uma chuva fina mas persistente, dessas que molham plantas, gentes, cães, distraídos, que não respeitam guarda-chuva. Chuva de assanhar a paisagem.</p>
<p>Perguntei ao homem se era a última viagem, o suficiente para que ele me resumisse sua vida seca em alguns segundos.</p>
<p>&#8220;É a última, graças a Deus. Entrei às cinco da manhã, vou saindo agora&#8221;</p>
<p>Eram quase oito da noite.</p>
<p>&#8220;Mas amanhã tás de folga, né?&#8221;</p>
<p>&#8220;Amanhã entro de quatro da manhã, saio de duas da tarde. Só no outro domingo terei folga&#8221;, respondeu, enquanto chegávamos ao Parque 13 de Maio.</p>
<p>&#8220;Vou descer aqui. Vou para a rua da Aurora&#8221;, disse.</p>
<p>O que parecia um homem duro disse que não me preocupasse, que ele me deixava na esquina, porque era &#8220;mais perto de casa&#8221;.</p>
<p>E súbito, aquela vida seca me pareceu uma falha no meu entendimento. Era apenas um homem exausto, sugado pela máquina de trabalhar deste meu país, e que certamente não trocou mais que algumas palavras, ao longo de várias horas dirigindo um ônibus. Chegaria em casa exausto. Teria o tempo somente de comer algo, descansar algumas horas  e acordar novamente, na madrugada do domingo.</p>
<p>Enquanto ele dirigia, me lembrei de cada palavra da senhorar Pérez, e da intensidade da senhora Carrar.</p>
<p>Desci, caminhei tentando não molhar o programa, com o autógrafo de Stella, e agradeci por algo que não sei o nome.</p>
<p>**</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-1503" href="http://www.estuario.com.br/2010/08/29/homem-molhado-vida-seca-ou-os-fuzis-da-senhora-carrar/os-fuzis2/"></a></p>
<p>Trecho de João Dênys no programa:</p>
<p><em>&#8220;A obra Os fuzis da senhorar Carrar nos situa frente a uma retomada de posições em guerras silenciosas, sem marchas solenes, sem pronunciamentos bombásticos, sem palavras de ordem, em territórios aparentemente sem muros, sem união de gentes diferentes, sem bandeiras a defender e desfraldar, mas com igrejas inflexíveis, com anestesia global, com o terror banalizado, com um capitalismo cada vez mais bruto, com armas tão exageradamente letais que fazem dos velhos fuzis de Teresa Carrar, ou de quem quer que os esconda, alfinetes de insegurança com conexão virtual total&#8221;.</em></p>
<p><strong>O espetáculo está em cartaz no teatro Hermilo Borba Filho, aos sábados e domingos, às 18h.</strong></p>
<p><strong>NOTA: O estuário está com um problema técnico, e ninguém consegue comentar. Quando a pessoa clica, vai para o site globo.com</strong></p>
<p><strong>Informo que não é intenção do autor (este tipo de parceria), e que ele não está recebendo por isso. O provedor está tentando resolver. (Samarone)</strong></p>
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		<title>Blogueiro em crise</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2010/08/25/blogueiro-em-crise/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 19:22:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdão, leitores, mas amanhã tentarei algo. Hoje, após mais de uma hora de tentativas, não me saiu nada decente para postar. Crise de imaginação, de assunto, conteúdo. Acontece. Escrevo só para dizer que estou tentando, mas não quero publicar qualquer coisa, só para dizer que estou com o blog em dia. Aceito sugestões. Eu sabia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Perdão, leitores, mas amanhã tentarei algo. Hoje, após mais de uma hora de tentativas, não me saiu nada decente para postar.</p>
<p>Crise de imaginação, de assunto, conteúdo. Acontece.</p>
<p>Escrevo só para dizer que estou tentando, mas não quero publicar qualquer coisa, só para dizer que estou com o blog em dia.</p>
<p>Aceito sugestões. Eu sabia que a crise dos 4o chegaria, mas não aos 41, e numa tarde de quarta-feira no Recife.</p>
<p>Aceito sugestões, temas, frases que rendam algo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Coletânea Antônio Maria de Crônicas</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2010/08/24/coletanea-antonio-maria-de-cronicas/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 18:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ensinei numa escola no Bairro do Recife que ficava defronte a uma estátua de Antônio Maria. Acho o Maria uma maravilha, sempre adorei as crônicas dele, fora algumas canções espetaculares. O tempo passou, saí da escola, continuei escrevendo meus textos, e fui convidado para participar de uma antologia de crônicas, organizada pela Prefeitura da Cidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ensinei numa escola no Bairro do Recife que ficava defronte a uma estátua de Antônio Maria. Acho o Maria uma maravilha, sempre adorei as crônicas dele, fora algumas canções espetaculares.</p>
<p>O tempo passou, saí da escola, continuei escrevendo meus textos, e fui convidado para participar de uma antologia de crônicas, organizada pela Prefeitura da Cidade do Recife. Somos 17 autores. Alguns conheço, outros vou ver hoje.</p>
<p>O lançamento será às 20h de hoje (terça, dia 24 de agosto), na Rua da Moeda, com rec ital e tudo o mais.</p>
<p>Dizem que o livro ficou lindo.  Todos estão convidados. Acho que hoje acabo minhas férias.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Para gostar de ler é preciso Bibliotecas Vivas! (Blogagem simultânea de vários amantes dos livros e das pessoas que querem bibliotecas vivas perto de casa)</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2010/08/19/para-gostar-de-ler-e-preciso-bibliotecas-vivas-blogagem-simultanea-de-varios-amantes-dos-livros-e-das-pessoas-que-querem-bibliotecas-vivas-perto-de-casa/</link>
		<comments>http://www.estuario.com.br/2010/08/19/para-gostar-de-ler-e-preciso-bibliotecas-vivas-blogagem-simultanea-de-varios-amantes-dos-livros-e-das-pessoas-que-querem-bibliotecas-vivas-perto-de-casa/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 03:44:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Campanha da Rede de Bibliotecas Comunitárias inicia campanha para revitalizar infraestrutura e equipamentos para incentivar a leitura na Região Metropolitana do Recife Nem só de livros se faz uma biblioteca. Para que o espaço funcione e para que as pessoas cada vez mais se interessem pelo mundo da leitura, é preciso a organização, o conforto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Campanha da Rede de Bibliotecas Comunitárias inicia campanha para revitalizar infraestrutura e equipamentos para incentivar a leitura na Região Metropolitana do Recife</strong></em></p>
<p>Nem só de livros se faz uma biblioteca. Para que o espaço funcione e para que as pessoas cada vez mais se interessem pelo mundo da leitura, é preciso a organização, o conforto e o aconchego de ambientes saudáveis e com os equipamentos necessários para seu funcionamento. Para isso, a Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife está em campanha.</p>
<p>Dessa vez, não se está pedindo livros (embora sejam sempre bem-vindos). A ideia é mobilizar recursos financeiros e materiais para equipar e reformar as oito bibliotecas que fazem parte da Rede. Muitas delas hoje sofrem dificuldades diversas como infiltrações, problemas hidráulicos ou mesmo a falta de mobiliário adequado.</p>
<p>“Este é um esforço para buscarmos novos parceiros em diferentes âmbitos (governamental, empresarial, pessoal, de associações, de profissionais liberais). Acreditamos que é mobilizando os diversos segmentos da sociedade que a gente pode se fortalecer, afinal de contas, para formar uma sociedade de leitores, pois um pais democrático se faz com leitores”, avisa Gabriel Santana, do Movimento Cultura Boca do Lixo e um dos articuladores da Rede.</p>
<p>O jovem ativista deixa claro que a intenção da rapaziada é trabalhar sempre do conceito de “Biblioteca Viva”.</p>
<p>“Esses são espaços que vão além da função tradicional de emprestar livros. A biblioteca é também um lugar de formação de leitores, através de diversas estratégias de mediação de leitura, como Rodas de Leitura, Recitais, Semanas do Conto, Bibliotecas Itinerantes, Malas de Leitura, exibições de vídeo, Oficinas de Leitura, Contação de Histórias, Produção de textos e desenvolvimento das linguagens”, informa.</p>
<p>Ontem, fui à Biblioteca Popular do Coque, que conheci no dia da inauguração, em junho de 2007.  Maria Betânia, e mulher batalhadora que nunca abandou o sonho da biblioteca na comunidade, lamentava os estragos das recentes chuvas. Infiltrações, goteiras, telhas quebradas, 40 livros perdidos, chão molhado, atrapalhando o trabalho com as crianças da comunidade. São de 30 a 35 por dia.</p>
<p>A biblioteca tem um computador, poucas cadeiras, dois pufes. A igreja católica paga o aluguel. O restante é na base do voluntariado e alguma ajuda institucional, que permite Betânia sobreviver.</p>
<p>&#8220;Recebemos mais de 600 livros do Minc, mas não temos como trazer para cá&#8221;, diz.</p>
<p>O que a Biblioteca Popular do Coque mais precisa é de ajuda financeira para a infra-estrutura e voluntários, para o trabalho na parte da tarde.</p>
<p>&#8220;Toda vez que vou olhar na conta, só tem R$ 50,00&#8243;, diz Betânia.</p>
<p>Fabiana Coelho contava histórias para umas 30 crianças, nesta terça, enquanto a TV Tribuna fazia uma reportagem. Desde a inauguração, resolveu ser voluntária, duas vezes por semana. Mostra com alegria uma menina, Alice, que aprendeu a ler ali mesmo. A menina montava seu nome com umas letrinhas de plástico. A mãe, vendo a empolgação da filha, também voltou a estudar. Rafael, filho de Betânia, também é voluntário.</p>
<p>&#8220;Muitas mães aprenderam a ler aqui&#8221;, conta Betânia.</p>
<p>O lugar é frequentado pela comunidade e até pelos agentes de saúde.</p>
<p>&#8220;Sem a ajuda, eu não consigo&#8221;, diz Betânia.</p>
<p><strong>Mais informações:</strong></p>
<p>Gabriel Santana – Movimento Cultural Boca do Lixo. 3244-3325 / 8850-5507  (Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife)</p>
<p><a href="mailto:redebibliormr@gmail.com">redebibliormr@gmail.com</a></p>
<p><a href="http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com/">http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com/</a></p>
<p>Panfleto: <a href="http://rededebibliotecascomunitarias.files.wordpress.com/2010/06/publicidade_da_internet1.jpg">http://rededebibliotecascomunitarias.files.wordpress.com/2010/06/publicidade_da_internet1.jpg</a></p>
<p><strong>Lista de materiais que as bibliotecas precisam:</strong></p>
<p><strong>Aparelho de DVD</strong> – para passar filmes em formato DVD para o público, nas exibições de vídeo.</p>
<p><strong>Televisão a cores</strong> – Para exibir vídeos para o público das bibliotecas</p>
<p><strong>Material de construção</strong> – Para fazer reparos na infra-estrutura dos espaços (ver fotografias)</p>
<p><strong>Data Show</strong> – para exibição de filmes para comunidade no espaço externo da Biblioteca (na rua ou praças)</p>
<p><strong>Equipamento de som</strong> (Caixas amplificados, Mesa de Som, microfones) – para eventos que as bibliotecas fazem na Rua ou Praças.</p>
<p><strong>Mobiliário</strong> – Mesas e cadeiras plásticas pra adultos.</p>
<p><strong>Estantes</strong> &#8211; Para acomodar os livros.</p>
<p><strong>Computador </strong>– para uso do leitor e melhor gerenciar o controle do acervo, produção de materiais virtuais (textos, planilhas, apresentações)</p>
<p><strong>Impressoras </strong>– Para impressão de materiais usados pelas bibliotecas (pesquisas na Internet, impressão de materiais de divulgação).</p>
<p>Estamos também com uma conta aberta para arrecadar recursos financeiros, onde será investido em mão de obra, e investir na melhoria da infra-estrutura das Bibliotecas Comunitárias que integram a Rede de Bibliotecas Comunitárias da RMR.</p>
<p>Caixa Econômica Federal</p>
<p>Conta corrente número: 544-5 </p>
<p>Agência: 2193 / OP: 003</p>
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		<item>
		<title>O gozo das férias</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2010/08/09/o-gozo-das-ferias/</link>
		<comments>http://www.estuario.com.br/2010/08/09/o-gozo-das-ferias/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 01:27:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.estuario.com.br/?p=1477</guid>
		<description><![CDATA[Amados leitores. Após cinco anos escrevendo uma média de duas a três crônicas semanais, o autor deste blog recorre à legislação trabalhista brasileira para decretar o gozo das merecidas férias. Neste período, o citado blogueiro pretende se dedicar às leituras matinais, perambulações em parques e alamedas, eventuais conversas fiadas com candidatos barrados pelo ficha limpa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amados leitores.</p>
<p>Após cinco anos escrevendo uma média de duas a três crônicas semanais, o autor deste blog recorre à legislação trabalhista brasileira para decretar o gozo das merecidas férias.</p>
<p>Neste período, o citado blogueiro pretende se dedicar às leituras matinais, perambulações em parques e alamedas, eventuais conversas fiadas com candidatos barrados pelo ficha limpa e pequenas incursões pelo mundo da filosofia pós-indiana, já que Kant foi para o espaço.</p>
<p>Diante do exposto, só me resta botar na banguela, dizer muito obrigado, abraçar a esperança e dar uma volta no quarteirão em 79 dias.</p>
<p>Até breve, quando eu me recuperar do intermezzo, movido a pizza e azeite de oliva da espanha.</p>
<p>Fiquem com deus e não percam a esperança.</p>
<p>Samarone Lima</p>
<p><em>ps. continuo alimentando meu blog de poesias. Quem quiser olhar, não paga nada.</em></p>
<p><a href="http://www.quemerospoemas.blogspot.com">www.quemerospoemas.blogspot.com</a></p>
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		<title>Ademar</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 14:47:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tio Ademar sempre foi conhecido como &#8220;Careca&#8221;, no Crato, coisa que nunca entendi direito, porque ele sempre teve cabelos de sobra. Por isso, nunca chamei meu tio de Careca. Quando a gente viajava de Imperatriz para o Crato, nas férias de julho, eu ficava especialmente feliz porque encontrava um monte de primos, tios, mas adorava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tio Ademar sempre foi conhecido como &#8220;Careca&#8221;, no Crato, coisa que nunca entendi direito, porque ele sempre teve cabelos de sobra. Por isso, nunca chamei meu tio de Careca.</p>
<p>Quando a gente viajava de Imperatriz para o Crato, nas férias de julho, eu ficava especialmente feliz porque encontrava um monte de primos, tios, mas adorava encontrar minha madrinha, que se chama Piinha, uma das mulheres mais lindas que já conheci, e tio Ademar, que era o aventureiro da família, e tinha uma C-10 que fazia nossa alegria. Teve sempre um pequeno desvio de caráter, que foi sua paixão louca pelo Flamengo, mas tudo bem, isso acontece, cada qual com sua cruz, eu vou me virando com meu Santa Cruz.</p>
<p>A família quase toda migrou para Fortaleza, e tio Ademar também.</p>
<p>Os problemas de saúde do velho tio começaram a se tornar crônicos. Nos últimos dois meses, duas cirurgias, complicações, hospital direto, eu sempre pegando notícias por telefone, com minha mãe, tia Teresa, que por sinal se chama Teresa de Lisieux. Vez por outra eu falava com tio pelo celular dele.</p>
<p>“Fala mago”, diz sempre tio.</p>
<p>Semana passada me deu aquele sentimento. Tenho que ver o velho e bom Ademar. Não posso adiar um dia sequer. Na quinta à note, peguei um ônibus, sexta de manhã estava em Fortaleza. Foi o dia da cirurgia número dois dele. Só deu tempo de visitar  tia Teresa e tia Maninha, à noite.</p>
<p>No sábado, cheguei ao hospital. O paciente estava na UTI, no pós-operatório. Só uma pessoa poderia entrar. Daqui a pouco chega Sergei, filho de tio Ademar.</p>
<p>“Vamos entrar os dois”, disse, me dando um abraço.</p>
<p>Ele explicou à médica que eu era sobrinho, tinha vindo de São Paulo só para ver o tio, a moça deixou entrar os dois, um de cada vez. Fui na frente.</p>
<p>Tio estava dormindo. Aqueles fios de UTI são de doer. Fiquei ao lado, segurei na mão dele e vi que finalmente o apelido ganhava sentido. Tio Ademar está ficando careca mesmo.</p>
<p>A médica perguntou algo, ele abriu os olhos, respondeu, depois me viu.</p>
<p>“E aí, mago&#8230;”</p>
<p>Conversamos uns vinte minutos. Mostrei as fotos que levei, do batizado de sua filha Júlia, em 1976. O bicho era estiloso, com um baita óculos escuros. Reconheceu todo mundo nas fotos, conversamos umas coisas da vida.</p>
<p>Pouco antes de entrar, Sergei tinha me falado que justamente neste dia, era o aniversário do velho.</p>
<p>“Tio, Parabéns”, disse.</p>
<p>“Valeu, Mago”, respondeu, com um sorriso fraco.</p>
<p>Saí, falei com Sergei, que estava emocionado com a coisa do aniversário.</p>
<p>“Acho que vou chorar”, disse.</p>
<p>“Então chora”, respondi.</p>
<p>Sergei entrou na UTI, fiquei no corredor do hospital.</p>
<p>Corredor de hospital é um dos lugares mais solitários do mundo. Pode estar cheio de gente, mas a pessoa está só. Ela e seus sentimentos, saudades, memórias, tristezas. Nessas horas, eu posso ver a humildade, quase tocá-la, com uma ingenuidade de criança que tirava fotos com os bois da Exposição do Crato.</p>
<p>Depois, meu primo saiu. Estava emocionado.</p>
<p>“Hoje ele faz 63 anos. Eu tenho 36”.</p>
<p>Saímos caminhando.</p>
<p>“Sabe o que ele disse quando fui saindo?”</p>
<p>Eu não sabia, mas imaginava.</p>
<p>“Não deixe o Samarone sozinho não. Vá comemorar meu aniversário com ele”.</p>
<p>Fizemos alguns brindes ao aniversariante.</p>
<p>Ontem, ele saiu da UTI. Tinha dez parentes no quarto, esperando por ele. Irmãs, sobrinhos, filha, neta.</p>
<p>Quando a cama dele entrou no quarto, ele me olhou e perguntou:</p>
<p>“Mago, quanto foi o jogo do Flamengo?”</p>
<p>Eu amo esse cara, esse tio, e sei que ele sabe disso.</p>
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		<title>Internet, Twitter e outras anotações sem rumo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 14:22:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia vivi um dilema emocional envolvendo a utilização ou não do tal twitter, compartilhei com meus leitores, um amigo chegou a abrir uma conta em meu nome, mas acabei recuando. Não sei o que é, mas acho que respeito minha natureza. Eu quero me comunicar, e acho que meu estuário dá conta do recado. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia vivi um dilema emocional envolvendo a utilização ou não do tal twitter, compartilhei com meus leitores, um amigo chegou a abrir uma conta em meu nome, mas acabei recuando. Não sei o que é, mas acho que respeito minha natureza. Eu quero me comunicar, e acho que meu estuário dá conta do recado. Além disso, vivo escrevendo frilas e ultimamente andam me chamando para palestras e debates envolvendo livros, literatura etc.</p>
<p>Semana passada, tomei um susto. Bastou o Magro Valadares botar no twitter dele um link com a minha postagem, onde relatava pequenos deslizes de comportamento, que a coisa ganhou outra dimensão. Em dois dias, creio, mais de 400 pessoas tinha acessado o estuário.com. O número de comentários, na faixa dos 15 a 20 por postagem, deu uma pipocada &#8211; mais de 30.</p>
<p>Achei espantoso esse poder de comunicação, fiquei feliz com os novos leitores que chegaram, os comentários foram mesmo muito divertidos, e acho um falsiê geral o sujeito que escreve na Internet, dizer que não liga para os comentários. Eu ligo muito sim, acho formidável que alguém leia um texto que escrevi, mas isso ainda não me comove para usar outras ferramentas na Internet. É preciso lembrar que levei muitos e muitos anos até me deixar vencer pelo celular, que me ajuda muito a evitar dores de cabeça, viagens perdidas ou até a perda de algum trabalho por falta de contato. Lembro que Ricardo Mello teve que deixar um bilhete na mercearia de Seu Vital me convidando para trabalhar numa escola, e foi um projeto memorável, com jovens da periferia.</p>
<p>Essa interação com os leitores já me provocou muitas trocas generosas. Uma leitora de Olinda se encarregou de fazer uma seleção das melhores crônicas, e de vez em quando me manda longos email, contando suas impressões sobre alguns textos, articulando coisas da psicanálise, literatura, fazendo ligações com outros autores, e tem hora que eu me acho até sabido. Mas isso é por uns instantes, só.</p>
<p>Recentemente, outro leitor começou a ler meus poemas, sempre mandando comentários, fazendo comparações etc.  O melhor é que ele, grande leitor, me manda outros poemas que dizem se relacionar com o que escrevi. Iniciamos uma generosa troca de impressões, e diria que ganhei um novo amigo, que ainda não vi pessoalmente. Ele também está fazendo uma seleção dos poemas, para um livro que decidi publicar este ano. Um dos meus grandes defeitos é não saber separar o joio do trigo, nas coisas que escrevo.</p>
<p>Muitas vezes, os comentários dessas pessoas que nem conheço acabam sendo um bálsamo para compensar a minha caixa de email.</p>
<p>Não sei o que está acontecendo com a humanidade, mas como as pessoas têm um prazer quase sexual em mandar porcarias para os outros, via Internet. Quando recebo email com títulos do tipo &#8220;imperdível&#8221;; &#8220;engraçadíssimo&#8221;; &#8220;muito bom&#8221;, já nem olho. Não tenho paciências para essas piadinhas infames, e ainda bem que já não me mandam textos daquele chato do Arnaldo Jabour, que devia voltar a fazer seus filmes.</p>
<p>Tenho uma amiga que me manda três a quatro arquivos por dia, e me pergunto o que ela faz na fica, além de selecionar para mim coisas que nunca vou ler. Como nem leio, um dia ela vai me mandar um email importantíssimo, pedindo minha ajuda, e não vou ler, então será tarde.</p>
<p>O que pode parecer desdém com as novas tecnologias, eu assumo como uma espécie de contentamento. Às vezes, a gente não compreende o que é suficiente. Que difícil encontrar pessoas que dizem &#8220;isso é o suficiente&#8221;. Pois o meu espaço na Internet é o suficiente para mim. Venho aqui, publico dois textos por semana, boto meus poeminhas no outro blog, e está bom. Não sei a quantidade de leitores, mas está bom também, sei que algumas pessoas passam aqui, lêem minhas coisas, retornam, e está bem, é o suficiente.</p>
<p>Diariamente recuso pedidos para facebook, um tal de &#8220;quepasa&#8221;, hoje me chegou um convite para um tal de &#8220;linkedln&#8221;, mas declino sempre. Do Orkut já desistiram, ainda bem. Não é por esse papo de &#8220;aversão às tecnologias&#8221;, porque elas bem que ajudam muito na vida cotidiana, mas é que sou assim mesmo, meio arisco com muitas coisas. Acho ótimo que as pessoas compartilhem tanto, mas as minhas fotos eu gosto mesmo é no álbum, para mostrar na hora que chegar um amigo. Perdão, mas são minhas besteiras.</p>
<p>Semana passada, uma amiga me mandou um longo email, me questionando de uma situação vivida há cinco anos, creio, me acusando de uma penca de coisas ruins que eu julgava superadas, uma herança desse período conturbado da minha vida, quando fui dono de bares. Que nada. Ela fez algo que eu simplesmente rezo para não acontecer comigo, que é guardar rancor. Pois bem. Não funcionou.</p>
<p>Há algum tempo tenho me recusado a resolver problemas da existência com longos email, a não ser que seja alguém que viva muito longe, e não possamos nos falar sequer pelo telefone. Modernidade demais às vezes estraga o que temos de melhor, que é a possibilidade da conversa, do diálogo, esse reconhecimento da presença do outro em nossa vida.</p>
<p>A amiga em questão mora no Recife, sabe meus telefones, onde me encontrar, e me manda um email longo, problemático, atravessado, que li em Garanhuns, durante o Festival de Inverno.</p>
<p>Uai, mas o que custa marcar um café ou uma cerveja, para contar olhando nos olhos o que sente, o que machucou, esses mal-entendidos da vida?</p>
<p>Outro dia, numa festa, encontrei um camarada que tinha brigado feio comigo. Eu sabia que havia rancor na parada, e eu também não estava essa florzinha toda com ele. Lá pelas tantas, os dois já tinham tomado umas, fui lá, disse &#8220;olha cara, aquilo ali já passou, vamos deixar de besteira, que a vida é curta para esse negócio de intriga&#8221;.</p>
<p>Ele aceitou o abraço, disse que estava pensando em fazer o mesmo, acabou tudo ali mesmo, na boa, sem email, sem gtalk ou msn.</p>
<p>Perdão, leitores, mas hoje estou disperso pacas. Queria dizer alguma coisa e o texto seguiu seu rumo próprio.</p>
<p>Acho que estou mandando apenas um abraço para quem me lê, dizendo que acredito nessas trocas sinceras que acontecem por aqui, mas que só vou até onde posso.</p>
<p><em>Para Santa e Arsênio, que me ajudam a separar o joio do trigo.</em></p>
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		<title>Anti-crônica dos pequenos pecados. Algumas coisas terríveis que já fiz, a modo de confissão</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 16:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Admito alguns erros clássicos nesta vida errante. Manchas, momentos ruis, vacilos, devaneios, afanos e suspeitas. Com o tempo, tudo vai se curando, já dizem os zorbas e os gregos, e depois o sujeito começa a rir dessa grande tragicomédia que é a vida. Listo algumas coisas que já fiz, já sem o arrependimento rondando na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Admito alguns erros clássicos nesta vida errante. Manchas, momentos ruis, vacilos, devaneios, afanos e suspeitas. Com o tempo, tudo vai se curando, já dizem os zorbas e os gregos, e depois o sujeito começa a rir dessa grande tragicomédia que é a vida. Listo algumas coisas que já fiz, já sem o arrependimento rondando na casa dos 8, na esperança de que os leitores também soltem seus crimes de menor potencial ofensivo para nosso deleite.</p>
<p><strong>Assisti a um show do Biafra</strong></p>
<p>Tudo bem, foi mal, essa é horrível, são os momentos ruins na vida de uma pessoa. Eu tinha uns 13 anos poxa! Sei lá, a turma do bairro resolveu ir, e topei. &#8220;Meu mel não diga adeus/Eu tenho tanto tempo&#8221;. Não sei se era dele, mas fica sendo. Essas músicas de mel. Aconteceu, não posso fazer mais nada, é só aceitar.</p>
<p><strong>Gostei muito do Gilliard</strong></p>
<p>Meu irmão, o Tonho, adorava o Gilliard, e acho que foi por osmose. No aniversário dele, a minha mãe dava um jeito de comprar o vinil, com a foto do cara na capa. &#8220;Aquela nuvem que passa/ Mar afora sou eu/ Aquela folha que passa&#8221;. Por aí vai. Quero dizer, ía. Gilliard era um boa praça danado. O incrível é isso. Se juntar Biafra e Gilliard no Chevrolet Hall eu viajo para Manaus, só para não passar perto. Outro dia fiquei sabendo que o Gilliard virou dono de farmácia.</p>
<p><strong>Confisquei comida dos outros em geladeira de albergue</strong></p>
<p>Novamente, aconteceu, e não foi nada de extraordinário. Foi no albergue de Buenos Aires, em San Telmo, onde fiquei várias vezes, fazendo minhas pesquisas do mestrado. Nas duas geladeiras, cada hóspede montava sua caixinha de plástico com sua comida e botava o nome. A turma, no geral, só comia o que era seu mesmo, nessa ética dos viajantes que tanto prezo.</p>
<p>Mas tinha uma moça da Suiça que era chata pacas, e mesmo sendo suiça, era feia pacas. Ela tinha um olhar preconceituoso que conheço de longe. Arranjava arenga por qualquer besteira, a sacaninha.</p>
<p>Então, na calada da noite, eu seguia com meu pé de lã, andava de mansinho, abria a geladeira e olhava o nome dela: Laila. Não sei se o nome é esse, mas fica sendo, porque a memória é mais forte que a reles lembrança.</p>
<p>Eu pegava a caixinha da Laila, e era uma delícia (a caixa, não a Laila). Queijo suiço, chocolate suiço, azeite, pão e queijo. Só não tinha relógio suiço, que pena. Eu fazia um baita de um sanduiche e depois dormia como um passarinho. No outro dia, era uma confusão dos diabos, para saber quem tinha mexido nas coisas da Laila.  Ra ra ra nunca fui descoberto.</p>
<p><strong>Furtei a Livro 7</strong></p>
<p>Quando soube que a Livro 7 tinha quebrado, eu morava em São Paulo. Fui para um boteco, chorar minhas dores, sabendo que nunca mais marcaria um encontro com alguém na Livro 7.  No começo, me senti culpado, fiz alguns ataques àquelas e memoráveis prateleiras, usando táticas de guerrilha literária que posteriormente transformarei em um guia para iniciantes.</p>
<p>Fiquei com este sentimento de culpa até que escrevi uma crônica no JC On line, em 2006, creio, confessando o crime, e recebi uma penca de comentários, de outros larápios. Teve uma pessoa que conseguiu leva, nas intocas, até o Aurélio! Se fossem fazer uma CPI sobre os ataques à velha e boa livraria, poucos escapariam, inclusive sujeitos que hoje são deputados, senadores, funcionários da Justiça, ex-xepeiros em geral. Só os homens e mulheres de bem. E de bens.</p>
<p><strong>Já dei um pinguim de geladeira a uma aeromoça</strong></p>
<p>Calma, amigos, não é o caso clássico de &#8220;dar em cima da aeromoça gostosa e linda&#8221;, porque as aeromoças de hoje estão deixando muito a desejar. Também, quem precisa de beleza para entregar uma barrinha de cereal dizendo &#8220;senhor, suco ou água?&#8221;</p>
<p>A aeromoça em questão era gente finíssima, e eu estava mesmo nervoso pacas, temendo o pior para mim e todos os confrades dentro da aeronave &#8211; uma eventual queda, com nenhum sobrevivente.</p>
<p>Na época, éramos felizes, porque serviam bebida no voo, e na época, vôo tinha acento, que era muito lindo. Sibele (se não for, fica sendo), me tratou tão bem, me serviu tantas doses a mais, que dormi feito uma criancinha e não senti nenhuma trepidação.  Antes de descer, peguei um pinguim de geladeira que estava na minha mochila (acho que tinha comprado em Belo Horizonte, não lembro, faço cada maluquice) e ofereci de presente. Não é que a moça ficou exultante, dizendo que era um presente maravilhoso?</p>
<p>Os tempos mudaram, nunca mais viajei com pinguim de geladeira na mochila, nem me ofereceram dose alguma a mais, as não ser amendoim ou barra de cereal. Tenho vários sonhos, um deles é encontrar o dono da Gol e dizer que ele não revolucionou a aviação brasileira, ele mediocrizou nossa merenda nas viagens, isso sim, por isso que nunca viajo pela Gol.</p>
<p><strong>Usei o WC da Sorbonne</strong></p>
<p>Este realmente foi um momento inesquecível deste velho vagabundo semi-profissional. Estava andando em Paris, um flaneur nascido no Crato, quando me vi dentro da Sorbonne. Ora ora, foi o que pensei, a catedral do saber. Por aqui já passaram todos os grandes, e eu de bobeira, sem realizar um ato de impacto, sem uma reflexão que ficasse para a humanidade, uma parábola, uma frase de efeito.</p>
<p>Quando estava nessa alegria, me veio uma dor de barriga afrancesada e rapidamente encontrei o WC da Sorbonne. Utilizei-o com pensamentos filosóficos. Pensei em escrever algo na porta, do tipo &#8220;vim, vi e fiz das minhas&#8221;, mas me pareceu vulgar demais, fiquei somente meditando sobre a importância do WC no pensamento filosófico ocidental.</p>
<p><strong>Usei também o WC da sede da ONU</strong></p>
<p>Sinceramente, não achei nada de tão importante assim. Acho a ONU, inclusive, uma entidade reaça pacas.</p>
<p>Vou ali, no Caudinho do Biu, no Alto José do Pinho, tomar uma gelada, que hoje é feriado no Recife. Lá, tentarei lembrar de mais coisas para concluir esta postagem. Para quem acha que estou brega demais, adianto que conheço três amigas que foram para o show dos Menudos, e hoje são todas mães de família. Elas gritavam pacas &#8220;Robbin!&#8221;</p>
<p>&#8220;Não se reprima, não se reprima, ôôô&#8230;&#8221;</p>
<p><strong>Parte 2</strong></p>
<p><strong>Dei um ganho no caderno de fiados do meu bar predileto</strong></p>
<p>Não sei quando foi, mas certa vez, eu estava bastante mamadinho no meu bar predileto, em São Paulo, e vi que o caderno dos fiados estava de bobeira, dando sopa. Não vacilei. Num bote clássico e rápido, surrupiei o cobiçado objeto e levei para casa. No outro dia, quando acordei, ele estava ao lado da minha cama. Os dois portugueses estavam loucos já. Desci para o café com aquela cara conhecida de uma pessoa que fez besteira, mas não entreguei o ouro ao bandido.</p>
<p>Pedi um café, escutei as reclamações de Manuel, atormentado com o sumiço do caderno, repeti aqueles bucólicos &#8220;que coisa, né&#8221;, e esperei Manuel pegar algo lá dentro. Sorrateiramente, coloquei no mesmo local, terminei meu desjejum e dei no pé. Não sei se o portuga percebeu, mas nunca falou nada.</p>
<p><strong>Me hospedei em albergue com o nome do meu querido poeta argentino</strong></p>
<p>Essa teve a participação especial do potiguar Sir Gustavo de Castro, que agora vive em Brasília. Estávamos perambulando por Salvador, e quando nos hospedamos num albergue que fica no Pelourinho, pediram para preenchermos a ficha. Instintivamente, botei meu nome como Juan Guelman, ele colocou Roberto Juarroz, ou vice-versa. O fato é que passamos um dia hospedados, como sendo os dois maiores poetas da argentina, segundo nossas avaliações e impressões. Aproveitei para botar o endereço misturando ruas e bairros das cidades que vivi, de modo que se o albergue incendiasse e morressem todos, não teriam como comunicar às nossas famílias.  </p>
<p>Mas bastou ler as primeiras confissões dos leitores, para ver que sou café com leite nos pequenos pecados. O senhor George, por exemploi,  furtou um pinguim de geladeira de um boteco e fingiu que era sequestro, com carta e tudo! Esse sim, é um gênio da raça.</p>
<p>Vou tentar o mesmo com Seu Vital. Depois conto como foi.</p>
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