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	<title>Estuário</title>
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	<description>Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias &#124; Por Samarone Lima</description>
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		<title>Livro lançado. Agora é esperar</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 14:52:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Lançamos oficialmente a segunda edição do &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221; (eu e a Editora Paés). Noite deliciosa no Mamulengo, acho que todo mundo curtiu, tomou umas, conversou etc. Conheci algumas pessoas novas e interessantes, como o professor Felipe Gallindo, o Nilton Pereira, que tem vários amigos cubanos. Trocamos ótimas idéias. O João Vianeis, que não via [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lançamos oficialmente a segunda edição do &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221; (eu e a Editora Paés). Noite deliciosa no Mamulengo, acho que todo mundo curtiu, tomou umas, conversou etc.</p>
<p>Conheci algumas pessoas novas e interessantes, como o professor Felipe Gallindo, o Nilton Pereira, que tem vários amigos cubanos. Trocamos ótimas idéias. O João Vianeis, que não via desde 1992, da época de Casa do Estudante, apareceu lá, perguntou se eu lembrava dele. Mas vinte anos depois, se dissesse que lembrava, estaria mentindo.</p>
<p>&#8220;Claro que lembro, qual era o apartamento?&#8221;, pensei em dizer, mas desisti.</p>
<p>Muitos elogios à edição do livro, o formato, capa etc. Realmente, a Paés caprichou.</p>
<p>Agora é com os leitores. Como diz a velha canção, &#8220;Deixa o frevo rolar&#8221;.</p>
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		<title>Viagem ao Crepúsculo &#8211; Diário do lançamento (final)</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 17:09:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo pronto para o lançamento da segunda edição do &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, hoje. Será no Bar Mamulengo, na Praça do Arsenal, Bairro do Recife, a partir das 19h. Todos convidados. * Mientras tanto, o governo brasileiro vai dando seu tom na relação com Cuba. Na Folha de São Paulo de sábado (28/01), o chanceler brasileiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.estuario.com.br/2012/01/29/viagem-ao-crepusculo-diario-do-lancamento-penultima-parte/convite-sama-4/" rel="attachment wp-att-2087"><img class="alignnone size-medium wp-image-2087" title="convite-sama-4" src="http://www.estuario.com.br/wp-content/uploads/2012/01/convite-sama-4-350x266.jpg" alt="" width="350" height="266" /></a></p>
<p>Tudo pronto para o lançamento da segunda edição do &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, hoje. Será no Bar Mamulengo, na Praça do Arsenal, Bairro do Recife, a partir das 19h. Todos convidados.</p>
<p>*</p>
<p><em>Mientras tanto</em>, o governo brasileiro vai dando seu tom na relação com Cuba. Na Folha de São Paulo de sábado (28/01), o chanceler brasileiro Antonio Patriota disse que a situação dos direitos humanos na ilha &#8220;não é emergencial&#8221;. Está em Davos, e deu uma entrevista ao excelente Clóvis Rossi.</p>
<p>&#8220;Para Brasil não existe &#8216;emergência&#8217; quanto a direitos humanos em Cuba&#8221;, diz o título (Mundo, p.10).</p>
<p>Ontem, nova matéria de página inteira (Mundo, página 12).</p>
<p>&#8220;Brasil financia &#8216;porto chinês&#8217; em Cuba&#8221;.</p>
<p>Fala sobre uma grande obra no porto de Mariel, orçada em US$ 957,15 milhões. O Brasil financiou US$ 682,15 milhões.</p>
<p>Há um artigo também analisando a visita a Cuba da presidente Dilma Roussef, amanhã. É assinada por Julia Sweig, do programa de América Latina e do Programa Brasil do &#8220;Council on Foreign Relations&#8221;. Elogia Dilma e lamenta não ter seu presidente visitando Havana.</p>
<p>&#8220;Se não posso ter meu presidente em Havana, permita-me a liberdade de oferecer  uma sugestão não solicitada a Dilma: falar com Raúl sobre opções para a imprensa brasileira abrir sucursais em Havana em tempo para a viagem do Papa Bento 16, em março&#8221;.</p>
<p>O artigo é bem confuso, foi o que achei, não entendi exatamente o que ela estava querendo dizer, no final das contas.</p>
<p>**</p>
<p>Nessas muitas conexões da vida, acabei conversando hoje de manhã com Dado Galvão, autor do documentário &#8220;Conexão Cuba-Honduras&#8221;, que tem a participação da blogueira Yoani Sánchez. Ele me convidou para o lançamento do documentário, dia 10 de fevereiro, em Jequié-BA. Poderei levar os livros e participar de um debate.</p>
<p>Até sexta-feira (3/02), o governo cubano vai dar a resposta se autoriza ou não a viagem de Yoani ao Brasil. Se ela conseguir, vou finalmente conhecê-la pessoalmente. Alguns de seus textos estão no &#8220;Viagem&#8221;.</p>
<p>**</p>
<p>O dono da Editora Paés, Sushi, me mandou o convite eletrônico, mas não consegui postar aqui. A sorte é que alguns amigos que têm twitter e facebook deram uma canja. O Magro Valadares botou no twitter dele e já retuitaram uma penca de vezes. Ele tem não sei quantos mil seguidores. Louvados sejam os amigos que têm rede social.</p>
<p>**</p>
<p>Hoje termino este mini-diário do lançamento e amanhã volto às crônicas.</p>
<p>***</p>
<p>Dica cultural: Todos os poemas da russa Anna Akhmátova. Se possível, o deslumbrante livro &#8220;Anna, a voz da Rússia&#8221; (Algo Editora).</p>
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		<title>Viagem ao Crepúsculo &#8211; Diário de um lançamento, parte III</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2012/01/26/viagem-ao-crepusculo-diario-de-um-lancamento-parte-iii/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 18:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Algumas coisas são mesmo incríveis. Passamos alguns meses, eu e a Editora Paés, editando a segunda edição do &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;. Foi um vai e vem danado, muitos problemas nos arquivos, discussões sobre capa, modelo do livro, formato, a decisão de incluirmos o ensaio fotográfico de Beto Figueirôa, até que ficou pronto. Agendamos a data [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas coisas são mesmo incríveis.</p>
<p>Passamos alguns meses, eu e a Editora Paés, editando a segunda edição do &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;. Foi um vai e vem danado, muitos problemas nos arquivos, discussões sobre capa, modelo do livro, formato, a decisão de incluirmos o ensaio fotográfico de Beto Figueirôa, até que ficou pronto.</p>
<p>Agendamos a data para 30 de janeiro, no bar Mamulengo.</p>
<p>Então vejam as coisas, como são mesmo incríveis.</p>
<p>Justo no dia 30, a presidente Dilma Roussef viaja a Cuba.</p>
<p>Hoje, nos jornais, anunciam que o governo do Brasil concedeu o visto de turista para a blogueira e dissidente cubana Yoany Sanchez vir ao nosso país, para a apresentação do documentário &#8220;Conexión Cuba-Honduras&#8221;, do cineasta Dado Galvão.</p>
<p>Falta apenas a permissão do governo cubano. Ela já tentou 18 vezes e recebeu 18 &#8220;não&#8221;.</p>
<p>Yoany disse que tentará um encontro com Dilma. Duvido que consiga.</p>
<p>*</p>
<p>Recebi o email de um camarada que vive na Várzea e tem vários amigos cubanos. Eles disseram que pretendem ir ao lançamento, na próxima segunda-feira. Vai ser ótimo conversar com essa galera que mora no Recife já há alguns anos, e saber o que pensam sobre a realidade cubana.</p>
<p>**</p>
<p>Um amigo, grande editor, sugeriu que eu voltasse a Cuba e entrevistasse 100 cubanos, para saber a opinião deles sobre Fidel. Iria como um capítulo extra do livro.</p>
<p>Pode ser uma boa, mas gato escaldado tem medo de água fria. E se vou lá e me dão umas boas botinadas? Eu sei lá. Mas seria uma boa também, voltar e ficar em um hotel, para ver como é a vida de turista em Cuba. Vou ver se o Eike Batista me patrocina.</p>
<p>***</p>
<p>&#8220;Eu não queria respirar aquele mesmo ar, só isso&#8221;, disse o mesmo amigo, ao não se defender de uma acusação leviana e ser expulso do serviço público no mais absoluto silêncio.</p>
<p>****</p>
<p>Seu Lucas, dono do último Fusca-Táxi do Recife, foi morto por causa de R$ 2,00, há alguns dias. A corrida deu R$ 25,00 e o assassino tinha R$ 23,00. O jovem, de 19 anos, estava em liberdade condicional havia cinco dias. Na discussão, por causa dos R$ 2,00, puxou a faca e matou o taxista.</p>
<p>É quase inacreditável, mas estamos vivendo assim, nos matando por nada.</p>
<p>***</p>
<p>&#8220;Levar-se a sério é como exigir coerência de um bêbado&#8221;.</p>
<p>(Das minhas anotações inúteis)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Viagem ao Crepúsculo: Diário de um lançamento, volume 2</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2012/01/25/viagem-ao-crepusculo-diario-de-um-lancamento-volume-2/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 18:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ótima entrevista por telefone com o Hugo Viana, repórter da Folha de Pernambuco. Ontem, ele mandou um email dizendo que ligaria hoje, às 14h. Nem inglês é tão pontual. Uma conversa inteligente, perguntas bem formuladas, papo bom. Logo nas primeira perguntas, percebi que ele tinha lido o livro inteiro, não era uma conversa a partir de release. Isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ótima entrevista por telefone com o Hugo Viana, repórter da Folha de Pernambuco. Ontem, ele mandou um email dizendo que ligaria hoje, às 14h. Nem inglês é tão pontual.</p>
<p>Uma conversa inteligente, perguntas bem formuladas, papo bom. Logo nas primeira perguntas, percebi que ele tinha lido o livro inteiro, não era uma conversa a partir de release. Isso faz uma enorme diferença. Educado pacas, tirou várias dúvidas, agradeceu pelas respostas, desejou boa sorte para o livro. Resumindo, o bom jornalismo.</p>
<p>Já dei algumas entrevistas por telefone, especialmente quando lançei o livro &#8220;Clamor&#8221;. Nas primeiras linhas, a gente percebe se a pessoa leu ou não seu trabalho. Quem não leu, pergunta aleatoriamente, como quem caça borboletas, não instiga o autor, que fez um longo esforço para publicar. Quando isso acontecia, eu cuidava de contar logo a história toda antes.</p>
<p>A matéria sai no dia 30, que é a data de lançamento. Aguardemos. Pela conversa, promete.</p>
<p>*</p>
<p>No final da manhã, Dr Edmilson Cardoso, cardiologista, olhou a minha bateria de exames. Fibrinogênese normal. Creatinina não menos. Colesterol na medida. Deu uma bronca nas &#8220;aminotransferases&#8221;, nada complicado. Só embolou mesmo porque as &#8220;gama glutamil transferase&#8221; também derrapou. Ele pediu outro exame, mas estou tentado a não fazer.</p>
<p>Sim, porque tem o bloco de Carnaval do Tribunal de Contas do Estado. Sabem como é o nome do bloco?</p>
<p>&#8220;Quem procura acha&#8221;.</p>
<p>Se dos sete exames, apenas um deu uma derrapada, para que inventar complicação? Vou pensar.</p>
<p>Devia ter levado um livro para o doutor, isso sim. Foi mal, doutor Edmilson!</p>
<p>**</p>
<p>Na volta do exame, passo no escritório do Unicef, para pegar uma citação. Editei um livro intitulado &#8220;A Vitória da Vida&#8221;, numa consultoria, saiu uma foto e um camarada me &#8220;botou na Justiça&#8221;, como dizem por ai. Quer R$ 17 mil de indenização. Vou ter que consultar o Arsênio Jr. Além de consultor poético, consultor jurídico. Agora&#8230; R$ 17 mil por uma foto? Pela mãe do guarda.</p>
<p>***</p>
<p>No ônibus para o centro do Recife, puxo a carteira, o cobrador diz:´</p>
<p>&#8220;Igual ao meu, né?&#8221;</p>
<p>Mostra um anel de prata. É parecido, mas não é igual.</p>
<p>&#8220;Uso por causa da Maniconia&#8221;.</p>
<p>&#8220;É o que mesmo?&#8221;</p>
<p>&#8220;Passa aí, que te mostro&#8221;.</p>
<p>Pago os R$ 2,15 (já com o reajuste), ele começa a tirar o anel do dedo. É um esforço terrível, porque está mais gordinho que um ano atrás ou dois, creio.</p>
<p>&#8220;Tás vendo com está rachado por dentro? Quando dá raiva, ele segura&#8221;.</p>
<p>A explicação foi longa, mas resumamos. Ele usa o anel de prata porque sofre de &#8220;Maniconia&#8221;. Se o nome não for esse, fica sendo, até alguém da área de saúde me corrigir.</p>
<p>&#8220;Tu quando tem raiva, não fica com manchas roxas pelo corpo não?&#8221;</p>
<p>&#8220;Que eu veja, não&#8221;.</p>
<p>&#8220;Pois é. Eu fico cheio de ronchas. É um líquidozinho que se espalha pelol corpo. Se bater no coração, já era o cara&#8221;.</p>
<p>Segundo ele, o anel de prata segura o liquidozinho.</p>
<p>Olhei o anel. Estava rachado mesmo.</p>
<p>&#8220;Foi cinquenta e cinco reais, lá em Casa Amarela&#8221;, completou.</p>
<p>Sentei lá atrás. Por precaução, peguei meu anel e olhei por dentro. Estava bem inteirinho.</p>
<p>Fica a dica. Quem tem raiva demais, use um anel de prata, que segura a onda.</p>
<p>****</p>
<p>Falei há pouco com o Muller, da Livraria Cultura. Depois de idas e vindas, o &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221; começa a ser vendido a partir de hoje. Já está à venda na livraria Jaqueira. Hoje, levo exemplares para a livraria Poty.</p>
<p>*****</p>
<p>Dona Hilda, do meu trabalho, disse que fez até o quinto ano de Fisioterapia (são dez, no total). Informou que &#8220;hoje em dia, quase ninguém quer trabalhar com fisioterapia respiratória&#8221;, depois fechou a porta.</p>
<p>Não entendi o que ela quis dizer, mas fica a informação.</p>
<p>**</p>
<p>Dica cultural: &#8220;Noite de Performances Corpos Compartilhados&#8221;, do Coletivo Lugar Comum. São quatro solos instigantes e cheios de poesia. Programação do &#8220;Janeiro dos Grandes Espetáculos&#8221;.</p>
<p>Local: Casa Mecane, na Visconde de Suassuna (não sei o número), às 19h. </p>
<p>Entrada: R$ 10,00.</p>
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		<title>Diário de um lançamento (Parte 1)</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2012/01/24/diario-de-um-lancamento-parte-1/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 16:16:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[24 de janeiro (terça-feira). Segunda-feira que vem (30/01), lanço a segunda edição de &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, livro de viagem sobre a vida cotidiana em Cuba, quando a revolução completou 50 anos. Fiz a viagem entre 2007 e 2008, o livro foi publicado em 2009, pela editora Casa das Musas. Vendeu as duas primeiras tiragens de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>24 de janeiro (terça-feira).</strong></p>
<p>Segunda-feira que vem (30/01), lanço a segunda edição de &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, livro de viagem sobre a vida cotidiana em Cuba, quando a revolução completou 50 anos. Fiz a viagem entre 2007 e 2008, o livro foi publicado em 2009, pela editora Casa das Musas. Vendeu as duas primeiras tiragens de mil exemplares. Vamos para uma nova edição.</p>
<p>**</p>
<p>Local: Bar Mamulengo (Praça do Arsenal, Bairro do Recife)</p>
<p>Horário:  A partir das 19h05.</p>
<p>**</p>
<p>Agora com novo projeto gráfico, o livro tem o selo da Editora Paés. Todo mundo que viu gostou muito. A Maura Lins Dourado fez a revisão, tem um ensaio do Beto Figueirôa e um capítulo final, que ampliei. Falo sobre a repressão política, enfocando também a morte do preso de consciência Orlando Zapata Tamoyo, em 23 de fevereiro de 2010, justo quando o então presidente Lula visitava Cuba. Zapata fez uma greve de fome que durou 85 dias, e não resistiu. O caso ganhou repercussão mundial, especialmente após as tráficas declarações de Lula, comparando a greve de Zapata com criminosos brasileiros.</p>
<p>***</p>
<p>O filme parece se repetir. A presidente Dilma Roussef agendou visita a Cuba para dia 31 de janeiro. No último dia 19, Wilman Villar, de 31 anos, morreu de uma infecção generalizada e pneumonia, após 50 dias sem comer, em protesto contra sua prisão. Foi pego pela polícia cubana dia 14 de janeiro, quando participara de um protesto da União Patriótica de Cuba, na cidade de Boatswain, onde vivia, e condenado a quatro anos de prisão por &#8220;desprezo e violação da autoridade&#8221;.</p>
<p>***</p>
<p>A idéia era acrescentar vários capítulos (que já estão até escritos), mas não deu tempo. Se tivermos uma próxima, vai dar sim.</p>
<p>***</p>
<p>Vários jornalistas já receberam seu exemplar. Alguns começam a dar retorno. Vamos ver. Silvinha, minha mulher, está ajudando muito, já que tem uma assessoria de comunicação, a Íntegra. Flavinha e Aninha, jornalistas da Íntegra, sempre ajudaram.</p>
<p>***</p>
<p>A única coisa ruim é que amanheci com um pouco de dor de dente.</p>
<p>**</p>
<p>Quem vive no Recife e gosta de coisas lindas, vai uma sugestão: A peça <strong>&#8220;Heróis &#8211; o caminho do vento&#8221;</strong>. Será reapresentada no teatro Hermilo Borba Filho, hoje, às 19h. Faz parte da excelente programação do &#8220;Janeiro dos Grandes Espetáculos&#8221;. Custa R$ 10,00 a entrada. Vale muito a pena. Fui ver ontem. É daquelas peças para rir, se emocionar e pensar na vida. Telefone do teatro (para não dar viagem perdida): 3232.2030.</p>
<p>***</p>
<p>Da minha coleção de frases:</p>
<p>&#8220;Afasto-me daquele que sou quando aprendo a tratar de outro modo a mesma vida&#8221; (Erri de Luca, em &#8220;Três Cavalos&#8221;).</p>
<p>***</p>
<p>Amanhã continuo.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Tem praga que é triste</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2012/01/20/tem-praga-que-e-triste/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 16:24:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Isso aconteceu há alguns anos, quando resolvi comprar um Fusca, com a ajuda do meu velho e inseparável amigo Naná. Fiquei usando minha lupa nos anúncios de jornais, visitei inúmeros donos de carro que ofereciam Fuscas horríveis, deformados, com aqueles pneus talalarga de péssimo gosto, equipamento de som, vidro fumê, essas besteiradas toda, com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isso aconteceu há alguns anos, quando resolvi comprar um Fusca, com a ajuda do meu velho e inseparável amigo Naná.</p>
<p>Fiquei usando minha lupa nos anúncios de jornais, visitei inúmeros donos de carro que ofereciam Fuscas horríveis, deformados, com aqueles pneus talalarga de péssimo gosto, equipamento de som, vidro fumê, essas besteiradas toda, com o papo de que &#8220;é quase tudo original&#8221;.</p>
<p>Encontramos um azulzinho lindo, ano 1968, até as calotas eram originais, o parachoque de ferro fundido, brilhava pacas. Tive muitos bons momentos e aventuras neste Fusca, mas algo me encafifava.</p>
<p>Bastava eu chegar no bar de Seu Vital, no Poço da Panela, que Sibigu imediatamente soltava o comentário:</p>
<p>&#8220;Este carro não te pertence, Xaman (ele e seu irmão, Jorge Bandeira, só me chamam assim, Xaman). Este carro é meu. Você está usando somente por um tempo, mas o carro é meu, fique sabendo disso&#8221;.</p>
<p>Depois de uma baforada em seu cigarro, continuava.</p>
<p>&#8220;Aliás, você sabe disso, mas vou perdoá-lo por enquanto pela ofensa que está cometendo, essa usurpação. Porque isso, Xaman, é uma usurpação&#8221;.</p>
<p>Eu achava engraçado, porque comprei o carro numa demorada negociação. Bastou Naná saber que o dono do carro era torcedor do Santa Cruz para, para usar nosso amor ao clube na negociação. Passou a rememorar gols históricos, títulos, escalações, lances improváveis, e o dono do carro foi pegando ar, se animando, contando suas histórias, onde assistia jogo no Arruda, o resultado é que ganhamos um belo desconto no preço final, aquelas coisas que o cara só vai perceber a merda que fez no dia seguinte.</p>
<p>Ma sempre que eu encontrava Sibigu, a mesma ladainha.</p>
<p>&#8220;Estás usando o meu carro, heim? Cuidado com ele&#8221;.</p>
<p>Até que um dia, espatifei meu Fusca num Honda Civick. Foi uma coisa triste, o acidente. O meu azulzinho ficou meses numa oficina, numa época em que eu estava mais duro que meio fio. Um dia, o dono deu a porra e despejou meu azulzinho na rua, acabei vendendo-o para o dono de uma concessionária por uma merreca. Poxa, hoje estou usando mesmo o linguajar popular, heim? Mas vamos em frente.</p>
<p>Soube por alto que o sujeito gastou um bom dinheiro e deixou o azulzinho novo em folha. Mas não  fui atrás do carro, porque minha tia estava doente no Cabo, e não dava para ficar atrás de Fusca com a tia cheia de broncas.  </p>
<p>O tempo passou, saí do Poço, não teve mais Fusca nem nada, morei três anos no Cabo de Santo Agostinho, minha tia morreu, casei, vim morar na rua da Aurora. Nas vezes em que vou a Seu Vital, não encontro mais Sibigu. Encontro seu irmão, Jorge Bandeira. São as circunstâncias da vida e da geografia das pessoas.</p>
<p>Semana passada, parei naquele Pescadero, na entrada do Poço da Panela, para olhar uns vinhos. Quando desci do carro vi um Fusca azul, lindíssimo, brilhante, entrando na mesma rua. O carro deslizava como uma musa. O motorista foi encostando devagar, do meu lado. O motor fazia um barulho lindo. Barulho de motor que está todo afivelado nos experimentos e no azeite de oliva, cada acelerada era uma sinfonia.</p>
<p>O motorista parou ao meu lado, abriu um sorrisão e me cumprimentou.</p>
<p>&#8220;Fala Xaman!&#8221;</p>
<p>Sim, amigos, era Sibigu, com o velho Fusca que fora meu um dia. Era um sorriso de corpo inteiro, ao lado da mulher, o que ele tinha. Era uma mistura de satisfação, orgulho e certeza.</p>
<p>&#8220;Eu não disse que esse carro era meu, e que você era um usurpador? Peguei meu carro de volta&#8221;, disse ele, dando uma acelerada para se amostrar.</p>
<p>Gelei dos pés ao último fio de cabelo.  </p>
<p>Ele comprou o carro há algum tempo, mas nunca teve a chance de me mostrar. Deu uma arrumada geral, está todo cuidado, ficou um belo de um carro, isso é verdade. Não fiquei com inveja nem nada, porque não sei nem onde eu iria estacionar o velho Fusca, e acho que certas coisas fazem parte de uma época da vida da pessoa, não adianta querer ficar repassando as velhas emoções para atualizar o presente. São os princípios do meu Budismo de boteco.</p>
<p>Fiquei pensando mesmo foi na praga que Sibigu jogou, isso sim, não recomendo a ninguém.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Livro novo na praça</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 18:33:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sossegados leitores, Na última sexta-feira 13, contrariando todas as mandingas relacionadas à data, recebi a ligação de Sushi, dono da editora Paés. &#8220;O livro está pronto&#8221;. Ele estava saindo da FacForm com a segunda edição do meu &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, lançado em 2009 e agora relançado, com novo design, um ensaio de Beto Figueiroa e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sossegados leitores,</p>
<p>Na última sexta-feira 13, contrariando todas as mandingas relacionadas à data, recebi a ligação de Sushi, dono da editora Paés.</p>
<p>&#8220;O livro está pronto&#8221;.</p>
<p>Ele estava saindo da FacForm com a segunda edição do meu &#8220;Viagem ao Crepúsculo&#8221;, lançado em 2009 e agora relançado, com novo design, um ensaio de Beto Figueiroa e um capítulo extra.</p>
<p>O lançamento, salvo engano, será dia 31 de janeiro. Penso em fazer naquele bar defronte ao bar Central. Uma mesinha na calçada fica ótimo para fazer as dedicatórias.</p>
<p>A obra começará a ser distribuída nas livrarias de hoje para amanhã.</p>
<p>Quem quiser receber em casa, mande comentário com endereço que peguei a manha dos Correios, de tanto comprar livros pela Estante Virtual.</p>
<p>Amanhã posto a capa do livro. É uma operação que exige muito dos meus parcos neurônios.</p>
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		<title>Bares, calçadas, mesas&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 18:19:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi na semana passada, mais especificamente na sexta-feira. Parei na xerox que funciona na calçada da rua da União e um homem pegava um bolo de xerox de um artigo do publicado pelo Bruno Albertim, no Jornal do Commercio, intitulado &#8220;A Mamede já não é a mesma&#8221;. Falava sobre a proibição de colocar mesas nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi na semana passada, mais especificamente na sexta-feira. Parei na xerox que funciona na calçada da rua da União e um homem pegava um bolo de xerox de um artigo do publicado pelo Bruno Albertim, no Jornal do Commercio, intitulado &#8220;A Mamede já não é a mesma&#8221;. Falava sobre a proibição de colocar mesas nas calçadas da pequena rua Mamede Simões, que abriga o famoso Central e uma penca de outros bares menores e aconchegantes, que a turma chama de aleatoriamente de &#8220;Frontal&#8221;.</p>
<p>&#8220;Oi Samarone, você está sabendo? É uma coisa terrível o que estão fazendo, não é?&#8221;</p>
<p>Ele estava nervoso. Não sei o nome, mas sei que ele tem um barzinho ali, na Mamede Simões. Pior que não saber o nome dele, era não saber o que era a &#8220;coisa terrível&#8221;.</p>
<p>&#8220;O artigo do Bruno está muito bom e ele fala de você&#8221;, completou, batendo em retirada.</p>
<p>Peguei minhas xerox, fui para o trabalho já pensando em pegar o JC, para saber o que o Bruno tinha aprontado para o meu lado.</p>
<p>Alguém estava lendo o meu JC. Aproveitei para pagar umas contas, e quando estava na rua da Saudade, encontrei um camarada alto, de barba, extremamente gentil. Era o dono de outro bar, defronte ao Central. Isso só pode ser uma conspiração do Albertim, pensei. Não lembro o nome dele, só que uma vez, arranjei uma arenga ridícula na conta, acho que fui deselegante. Ele foi tão educado, falou tão baixo, que me deu uma vergonha imensa do pantim que causei.</p>
<p>Educadíssimo estava aflito. Tinha uns cartazes de cartolina, com frases do tipo &#8220;Isso aqui é um pouquinho do Brasil&#8221; e frases semelhantes, com letras enormes. Fumava o cigarro do aperreio, quando a mão da pessoa treme e a fumaça é mais espessa.</p>
<p>&#8220;Mandei fazer 300 cópias do texto do Bruno, que está belíssimo&#8221;, disse.</p>
<p>Fiquei com aquele sentimento de que alguma coisa está acontecendo na cidade, e você é o último a saber. Já aconteceu isso comigo em São Paulo. Um avião caiu em cima de um bairro, passei a manhã em casa escutando música e lendo, e quando cheguei à redação, estava todo mundo louco.</p>
<p>&#8220;Samarone, você vai já para onde estão os destroços do avião&#8221;, disse meu chefe, quando pisei na redação, no início da tarde.</p>
<p>&#8220;Que destroços? Que avião?&#8221; &#8211; perguntei.</p>
<p>Todo mundo riu.</p>
<p>Educadíssimo, porém, estava trêmulo, angustiado.</p>
<p>&#8220;Cara, estão acabando com aquela rua. Não podemos botar mais uma mesa na calçada. Dentro do meu bar, cabem apenas quatro mesas. Não tenho como sobreviver assim. Já tive que despedir a diarista, se continuar assim, vou ter que despedir mais gente&#8221;.</p>
<p>Ele estava arrasado. Imagino o que é a pessoa lutar com um comércio, dia após dia, zelar pela clientela, contratar gente, dar emprego, depois ver tudo desabar.</p>
<p>&#8220;Hoje à noite, vamos fazer um protesto silencioso. Todo mundo em pé mesmo, bebendo, conversando. Vai ser um protesto silencioso contra essa decisão de proibir mesas na calçada, à noite. Espero que você vá, para dar uma força&#8221;.</p>
<p>Na volta, peguei o artigo do Bruno. Ele falava de uma passagem sua pelo Princesa Isabel, que costumo frequentar, o encontro com Seu Azevedo e Dona Nice (&#8220;um casal idoso que exala dignidade&#8221; &#8211; ficou belo isso) e de uma crônica minha, que está lá, numa moldura, minha pequena glória literária, onde afirmo que todo mundo tem um bar para chamar de seu.</p>
<p>Então entendi. A pequena rua, que de dia tem self-service a preço popular, almoços comerciais a partir de R$ 6,00, comida executiva por R$ 20,00 ou coisas mais elaboradas no Central, vive uma espécie de apartheid à noite. Ficou proibido qualquer mesa na calçada. Detalhe &#8211; somente na Mamede Simões.</p>
<p>Hoje, no JC, o José Teles aborda o assunto, na sua crônica &#8220;Um beco muito bem vigiado&#8221;.</p>
<p>&#8220;E a lei, pelo visto, vale só naquela rua. Porque mais adiante, os bares põem cadeira e mesa até em galho de árvore&#8221;, diz.</p>
<p>Já fui dono de dois bares, ambos com mesas nas calçadas. Nunca tive problema. Na verdade, por conta do nosso clima, a calçada sempre é o lugar preferido dos clientes, o mais agradável para ficar, já que é difícil uma multidão ficar vagando pelas calçadas à noite. Também tive o cuidado de não ter bar ao lado de hospítais, e só botava as mesas pra fora quando passava o movimento grande, coisa que todo dono de bar faz em todo lugar do mundo.</p>
<p>Frequento nos bares do entorno do Parque 13 de Maio, geralmente bebo nas mesas que ficam nas calçadas. E são muitos. Tem mais bar do que gente, nessa região. Se você parar para olhar a hora, o garçom chega com uma cerveja e o tira-gosto.</p>
<p>Não entendo a paranóia com a Mamede Simões, onde quase não passa carro e, salvo engano, tem apenas um prédio com moradores. Se tirarem todas as mesas que estão nas calçadas dos bares do centro do Recife, não sobrevive um. Vai ficar uma cidade patética, de gente que só faz trabalhar. Pior, de gente que só bebe em ambiente fechado, como se estivesse fugindo de alguma coisa.</p>
<p>Também já viajei muito pelo mundo. As mesas nas calçadas fazem enorme sucesso. Imaginem Paris sem mesinhas nas calçadas. Imaginem o mercado de Casa Amarela sem mesinhas na calçada. Na verdade, em muitas cidades bacanas, há ruas que são preparadas serem fechadas à noitinha, especialmente para movimentar a vida noturna. Em Fortaleza, onde morei, há uma penca.</p>
<p>Como diz o Bruno Albertim, dá vontade de ir para o Rio, Paris, Paraíba. O problema é que essas cidades ficam longe pacas lá de casa.</p>
<p>Não sei como foi o protesto silencioso na sexta-feira passada. Mas fica no ar um cheiro de caretice e tédio em nossa Veneza.</p>
<p>Ps. Terminei de postar o texto, tomei um café no Princesa e encontrei, no cruzamento do Parque 13 de Maio sabem quem? Educadíssimo. Estava mais sossegado. Teve o protesto, mas nada foi resolvido ainda. Perguntei o nome dele. É Nelson.</p>
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		<title>Bendições</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 19:26:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Bendições Aprendi com minha avó Zeneuda os mistérios da bênção. Ela se benzia quando passava defronte a alguma igreja e em algumas situações que não lembro bem, lugares ou situações que lhe diziam algo. Se abençoava. Coisas secretas. Seus mistérios miúdos. Todos temos esses detalhes mais serenos. Há muitos anos me benzo. É um agradecer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Bendições</strong></p>
<p>Aprendi com minha avó Zeneuda os mistérios da bênção.</p>
<p>Ela se benzia quando passava defronte a alguma igreja e em algumas situações que não lembro bem, lugares ou situações que lhe diziam algo. Se abençoava. Coisas secretas. Seus mistérios miúdos. Todos temos esses detalhes mais serenos.</p>
<p>Há muitos anos me benzo. É um agradecer inesperado, que desatordoa o dia. Lugares, situações, lembranças, que me invocam a bênção.</p>
<p>Faço isso sempre que passo defronte à Casa do Estudante Universitário, na UFPE. Ali vivi quatro anos fundamentais da minha vida. O dinheiro público me deu, com todas as limitações e infinitas velhacarias da reitoria, um lugar para viver, uma cama, um armário, uma bancada e lugar para me alimentar.</p>
<p>Entrei no apartamento 312 com 18 anos, saí de lá com 22, para cuidar da vida. Foram anos preciosos de formação, estudo, dificuldades, aprendizados. Aquele lugar, para mim, sempre será abençoado. Sem a Casa, batizada singelamente de “CEU”, eu teria que trabalhar em inúmeros empregos-porcaria para me virar, sobreviver. Tive tempo para ficar infinitas horas na Biblioteca Central, feito uma catita cearense, lendo, futucando livros e fazendo anotações. Durante quatro anos, vivi dentro de um Campus Universitário. Amém.</p>
<p>Me benzo também quando passo pela avenida 17 de agosto, defronte a um colégio estadual, um lugar específico que ficou gravado em mim como um espanto. A fração de segundos em que cochilei, a bordo do meu velho Fusca 1968 azul e acordei com um barulho. O barulho de uma batida em outro carro. É como uma pedrada.</p>
<p>No cochilo, forças misteriosas puxaram o volante para a esquerda (um pneu mal calibrado, quem sabe, mas prefiro as forças misteriosas) e me salvei do pior. Se o carro tivesse seguido para o lado direito, acertaria uma parada de ônibus, cheia de alunos.</p>
<p>Ninguém saiu ferido, tive um pequeno corte na testa e estremeço só de pensar no que aquilo poderia ter provocado na vida dos outros e na minha. Me benzo sempre que passo ali. Digo obrigado a alguém sem nome, ao destino ou à sorte. Não feri, não matei, não maltratei. Isso é uma bênção.</p>
<p>Me benzo quando durmo. Me benzo quando acordo, porque tudo, salvo engano, continua intacto, e cada dia, para mim, é um mistério.</p>
<p>Minha avó deve ter passado essas bênçãos para minha mãe, Dona Ermira, que vive ocupada em olhar o lado bom das pessoas. Se alguém não presta, ela é capaz de revirar ao avesso, cutucar, mexer, até que encontra uma fresta de bondade. Ali está seu país, sua quimera, sua fonte. Se alguém lhe faz mal, chora de tristeza, fica com pena da pessoa e já tem na algibeira o perdão, escrito em letra de forma. Sempre foi assim, desde que me entendo por gente, quando era menino.</p>
<p>A vida é assim, cheia de bênçãos e mistérios. Com todos os males, dramas, dores, injustiças, bendita seja.</p>
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		<title>Recomendações inúteis para o Natal e Réveillon</title>
		<link>http://www.estuario.com.br/2011/12/19/recomendacoes-inuteis-para-o-natal-e-reveillon/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 17:28:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samarone Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos leitores e não leitores, chegou o Natal, semana que vem tem o ano-novo e mais uma vez não mandei cartão para ninguém, não comprei presentes, faltei já a um par de confraternizações. Mais uma vez, não irei ver fogos na beira da praia de Boa Viagem, apesar da vaga simpatia pelo Zeca Pagodinho, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos leitores e não leitores, chegou o Natal, semana que vem tem o ano-novo e mais uma vez não mandei cartão para ninguém, não comprei presentes, faltei já a um par de confraternizações. Mais uma vez, não irei ver fogos na beira da praia de Boa Viagem, apesar da vaga simpatia pelo Zeca Pagodinho, não farei contagem regressiva e nem acharei que algo vai mudar muito, entre o dia 31 deste mês para o primeiro do que se avizinha. Apenas vou ter que usar outra agenda e ano que vem completo 43. Acho inclusive que ficaria mais fácil uma agenda com os dias ao longo do ano, sem divisões. Hoje é dia o 79 de 2012.</p>
<p>Para o ano que vem, espero apenas que todos possam trabalhar menos. Aliás, é minha única recomendação. Nada de desejar paz, sucesso, prosperidade. Se for possível ganhar o mesmo salário trabalhando menos, acho que a vida vai ficar melhor, vai dar para ler algumas páginas de um bom livro antes de sair para o trabalho, levar o filho no colégio e conversar com o professor dele, tomar um sorvete olhando a paisagem. Ou seja, vai sobrar tempo para algum sucesso, porque o sujeito pode alguma idéia legal enquanto come a casquinha do sorvete, e com a idéia bem aproveitada, a prosperidade.</p>
<p>Não sei quem inventou essa ideologia toda de que o trabalho dignifica o homem (que acabou colando), mas precisava ser oito horas por dia para ser digno? Eu acho que trabalho muito faz é danificar o homem, isso sim.</p>
<p>Na virada do ano, desejo que ninguém por perto bote aquela musiquinha &#8220;Este ano/quero paz no meu coração/Quem quiser ter um amigo/Que me dê a mão&#8221;. É que já enchi a paciência com ela. Mas quem gosta muito, pode botar à vontade, até porque não tenho sugestão nenhuma para botar no lugar. O silêncio também dá uma paz no coração danada. Talvez seja uma sugestão. É inútil, mas é.</p>
<p>Para o ano que vem, espero que todos possam vadiar mais, para depois não ficar escutando aquela música horrível do Titãs que fala dos mais e menos da vida (devia ter trabalhado menos, ter visto o sol nascer, ter se importando menos com problemas pequenos etc), que se chama, por sinal, &#8220;Epitáfio&#8221;. Aquele negócio de que o acaso vai me proteger eu também acho brega, igual a &#8220;quem quiser ter um amigo/que me dê a mão&#8221;. Pior que as duas, só a Simone rasgando com o &#8220;Então é Natal&#8230;&#8221; Mas quem sou eu para falar de brega. Outro dia fui flagrado no youtube jogado aos pés do Odair José, aqui no Bairro do Recife, nos primeiros acordes de &#8220;Olha/a primeira vez que estive aqui/Foi só para me distrair&#8230;&#8221;</p>
<p>E não façam uma listinha de promessas para o ano que vem. Não sei o que é, parece que  muita gente faz os mesmos pedidos na mesma época, o céu fica congestionado. Melhor deixar para depois do Carnaval, porque beber menos, cortar o cigarro são mais adequeados para o período da Quaresma.</p>
<p>Da minha parte, prometo continuar amigo dos amigos, conhecer uns novos  e farrapar menos aos eventos sociais, como batizados, casamentos, aniversários, festas de Réveillon etc. Tentarei também me aproximar dos eventuais inimigos, sob o argumento de que &#8220;quem quiser ter um amigo/que me dê a mão&#8221;. Também prometo dar menos atenção ao futebol, em detrimento ao teatro, cinema, dança, concertos etc. Começarei cortando os comerciais. Na hora dos comerciais, vou ler algo, aguar as plantas, escutar uma sinfonia, dar comida para o gato.</p>
<p>Para o mundo, espero que os PIBs sejam menores. As florestas, rios, matas, animais, plantas, vão agradecer. Pulmões, ar, montanhas, neve, vacas leiteiras, velhinhos, cavalos, guachupés e soslaios não menos.</p>
<p>Ou seja, minhas recomendações são inteiramente inúteis.</p>
<p>Vou aproveitar para separar uns dias para vadiar. Até 2012.</p>
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