Crônicas das coisas mínimas e desnecessárias | Por Samarone Lima

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Enquanto vem a próxima crônica…

16 de outubro de 2005, às 10:06h por Samarone Lima

Enquanto vem a próxima crônica, vai uma besteirinha linda, para quem lê um blog dia de domingo…

“E amar é “tornar-se digno”, alegre, é iluminar e também acalmar, conduzir nuances, é se encantar e distribuir esperança, é silenciar quando o pensamento se esquiva e a dor contamina, é ser útil, é estimular uma criatividade coletiva, compreender e realizar proporções, sair da raiva correndo e do ressentimento que lhe abre caminho, ligar metamorfoses, cultivar os jardins, derramar os mares nos oceanos infinitos, pendurar estrelas no céu”.

Beatriz Araujo Lima Coelho, no excelente “Cadernos do Silêncio – pequeno itinerário de sobrevivência de uma intelectual em tempo de crise”.
Ed. Relume Dumará, 2005

A todos os que foram ao delicioso lançamento de Estuário, meu muito obrigado e um grande beijo. Foi uma noite realmente muito aconchegante para a alma.

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Estuário, parte II, agora em versão boteco

14 de outubro de 2005, às 15:17h por Samarone Lima

Amadíssimos leitores e leitoras,

A editora informou que um novo lote de Estuário estará pronto amanhã, às 14h17. Então, com meus amigos músicos, resolvi fazer uma pequena farra no Garraffus Boteco, a partir das 19h03.
Chiló sanfoneiro confirmou presença, Jr Black ainda não deu resposta, Sibigu vai fazer uma seleção musical, SanB está vendo espaço na agenda, Mula Manca e Triste Figura parece estar em tournée, Tom Zé disse que vai só dar uma canja, A Parafusa não atendeu o telefonema, Delta Jam Blues parece que vai aparecer.

Se não aparecer nenhum músico, não esquentemos: trata-se de um livro, não do Grammy. Nos encontraremos por lá, quem sabe…

Garraffus Boteco
rua Conselheiro Nabuco, 21
Casa Amarela
(indo pela estrada do encanamento, entre no segundo sinal à direita, e depois na segunda rua à direita. O bar fica no fim da rua).
F: 3269.6769

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Uma sombra de flor na parede

13 de outubro de 2005, às 10:58h por Samarone Lima

Recife, 13 de outubro de 2005.

Esqueci de dizer que teu gosto ficou em minha boca como uma sombra da flor na parede. E assim, meio calado, dentro deste mistério indecifrável que é a vida, sigo lentamente, compondo uma nova sombra a cada dia, feita de fragmentos, lembranças, memória dos momentos em que as almas refletiram a mesma luz. A memória, esse lugar onde sou o mendigo de mim mesmo, como diz o Adolfo Montejo.

Mas tive a intenção de dizer, e isso ficou impresso em minha alma, foi um cordão umbilical que criei, e o desejo me levou tão próximo de ti e de mim, que os corações pareceram, naquele momento, siameses.

E me veio um sentimento de que viver é tanger improvisos, deslocar memórias, guardar talvez a lembrança dos cabelos ou da voz de quem quer que seja. É considerar as pessoas pelos olhos, com suas calmarias e vulcões, suas tempestades e silêncios. Mais que isso, é aceitar que somos catadores de pedaços de beleza, para caminhar com alguma leveza, sabe-se lá que dia.

Quantos hoje sairão de casa com seus punhais nas bocas? Quantos farão do trajeto com o filho para a escola um fardo irreversível, não um passeio amoroso, deixando de mostrar os poemas que se aninham nas garatujas das velhas fachadas? Ah, me dirão, é que não és pai, mas eu direi que fui filho pequeno, e ficou na memória fatigada a punição por ter visto (e anunciado) um elefante azul numa árvore. Data desta época, a primeira poda na árvore da fantasia, mas a planta cresceu, por outros desvãos, e sinto que há poemas nas garatujas das velhas fachadas, há outros elefantes ainda mais coloridos do que o azul da minha infância.

Ah, eu sinto mesmo é que não sei de quase nada. Hoje, menos que ontem. Menos que um, como o título de um livro amado. Parece que estou me esvaziando de todos os conceitos, descolorindo uma tela que vinha sendo pintada com os mesmos tons, o mesmo pincel, no mesmo cavalete. Aos poucos, vou construindo uma tela silenciosa, à espera de sons e luzes, para reinventar as cores.

Vou deixando de procurar a obra acabada, o momento perfeito, “aquele” momento, onde os céus e a terra se entrelaçam, que alguns nomeiam felicidade. Aceito a fatalidade de cada dia, bem como a doçura de cada pupila, o calor de mãos que se entrelaçam como plantas que querem viver junto ao muro da vida. Talvez porque eu goste tanto de chimarrão, a cada manhã, o amargo da vida já não se entranhe tanto em meus ossos.

E lembro de minha mãe, que há muitos anos assinou a separação, depois de 23 anos casada, e saiu do Fórum sozinha, talvez se sentindo nua diante da vida, uma Macabéia solitária, com uma flor nos cabelos. Não chorou, não rangeu por dentro, como tábuas velhas e feridas. Foi às Lojas Americanas, olhar para as pessoas, porque tinha a sensação de que passara vinte anos sem olhar rostos alheios.

É talvez por isso que eu acredite tanto no mistério da vida: há pessoas que às vezes me dão a impressão de estarem paradas, no meio das Lojas Americanas, olhando os rostos alheios, talvez buscando o próprio rosto, um semblante, o seu lugar no mundo. E são tantas as macabéias a passar por nossas vidas…

Esqueci de dizer que teu gosto ficou em minha boca como uma sombra da flor na parede. E assim, meio calado, dentro deste mistério indecifrável que é a vida, sigo lentamente, compondo uma nova sombra a cada dia, feita de fragmentos, lembranças, memória dos momentos em que as almas refletiram a mesma luz.

A memória, esse lugar onde sou o mendigo de mim mesmo, como diz o Adolfo Montejo.

Para Paulinha, pois.

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Estuário, o livro, foi lançado na Bienal e pela graça divina, já esgotou!

12 de outubro de 2005, às 7:15h por Samarone Lima

Recife, 12 de outubro de 2005.

Acordei há pouco, olhei para o lado, o livro estava lá: “Estuário – crônicas do Recife”, publicado pela Livro Rápido (serviço de impressão de obas raras e contemporâneas). Dei mais uma olhadinha, com o ventilador ligado no três, porque o amanhecer no Recife tem este solzão de rachar. Então fui lembrar do lançamento do meu terceiro livro, de 1998 para cá, que aconteceu ontem, na Bienal do Livro do Recife.

É preciso que se diga que a impressão da citada obra passou por uma espécie de calvário, envolvendo os aguerridos editores (César Maia e Júnior, do Ateliê), e a Carminha, da Livro Rápido. Aconteceu de tudo, e de tudo isso que não entendo nada: cor da fonte, espelhamento da edição, margem do texto etc. Ontem, no final da manhã, veio a frase fatal:

“A máquina deu um pau”.

Lembrei logo da frase de Sidclay:

“Tchau, guaranau”.

De sorte que cheguei ao Centro de Convenções já resignado, como aqueles bois que vão ao matadouro. Seria um lançamento sem livro, o que não seria nada estranho para a minha curta e insistente carreira de escritor, cheia de cenas engraçadas e aflições. No stand da Livro Rápido, Tarcisio Pereira me recebeu com um sorriso e a famosa frase:

“Chega já”.

Então eu dei umas voltas com minha irmã, a conhecida Dona Ermira, que estava arrasada psicologicamente, pela falta de uma câmera fotográfica. Andréia, minha prima, se dedicou a procurar livros para os filhos, que ficaram em Fortaleza, e encontrou vários, inclusive um que ensinava a tabuada de forma divertida. Caramba, como está mais fácil ser criança hoje em dia!

Voltei para o stand, e Tarcisio me recebeu com outro sorriso:

“Chega já”.

Começaram a chegar os amigos e alguns leitores, inclusive os pais de Fabiana, uma cativa leitora que mora na Inglaterra. Peguei o mote de Tarcisio, abri um sorriso e disse:

“Chega já”.

Um calor do caralho, aquele Centro de Convenções, eu com uma camisa branca e calça creme (não teve crediário, dessa vez), à espera de Estuário. Chegaram Júlio Vilanova (tricolor), Inácio França (tricolor) e Geórgia (alvirrubra). Chega já, meus amigos, chega já. Minha mãe já estava cutucando os transeuntes, à procura de uma máquina. A Livro Rápido ofereceu vinho, que aceitei imediatamente. Minha mãe tratou de virar o primeiro copo em cima da mesa, tumultuando o ambiente. Para cada pessoa que chegava, eu me antecipava:

“Está chegando” (achei melhor que o distante “chega já”).

Chegou a turma da esculhambação: César Maia (zagueiro), Ivanzinho (médio volante) e Barreto (ponta de lança), além de Júnior, recém-contratado, mas ainda sem posição fixa, no esquema tático do Ateliê. Foram tomar uma cerveja para relaxar, apesar de não ter achando nenhum deles nervoso. Fiquei falando com os amigos, e depois de tanto “está chegando”, senti que estava chegando a hora de tomar mesmo era uma cerveja, porque o nervosismo já tinha chegado. Fui ao encontro da citada rafaméia, que estava bebericando na Praça da Alimentação.

Ali pelos 12 minutos do segundo tempo, recebi a informação pela Adriana, ao pé do ouvido:

“O teu livro chegou”.

Me deu um arrependimento no espírito, um tremelique nos sentimentos e uma vontade de sair correndo. Barreto, sutilmente, me livrou da conta. Cheguei ao stand e Tarcisio me recebeu com um sorriso:

“Chegou”.

Minha mãe já estava com um exemplar e tinha conseguido angariar uns quatro ou cinco fotógrafos de qualidade.

A educadíssima fila tratou de esgotar rapidamente a primeira edição de Estuário. Por questão de marketing, a editora resolveu não informar quantos exemplares foram vendidos, e também não me dei ao trabalho de contar. Sei que Inácio, Júlio Vilanova, os pais de Fabiana, Andréia e Pérside (mãe de Lulu), saíram com o livro nas mãos, além de outros convidados. Eupídio tirou fotos como o quê. Minha prima se tornou a caixa oficial.

Após o lançamento-relâmpago, fomos todos ao Garraffus, onde a obra citada circulou entre as mesas, como um cachorrinho de estimação. Dei várias olhadinhas, lambendo a cria. O texto que mais gosto, que mais me diverte, é o “Uma Hiroshima na Pajuçara” (página 216), sobre uma pelada numa praia, em Maceió. Mas o que sinto um gostinho especial ao reler, é a história de Epifânio Rodrigues, o “Colecionador de Epifanias” (página 304). Ali, acertei em cheio, creio.

Sexta-feira devo receber a segunda edição. Vou pedir para a Livro Rápido colocar uma tarja preta, informando: “Edição revisada e ampliada pelo autor”, para dar mais um charme. Acertei com Macksandra e Michelle uma festa para o próximo sábado, para o re-lançamento de Estuário, com vários amigos convidados tocando no improviso no Garraffus (sem couvert, please): Jr Black, SanB, Chiló e a Sanfona Coral etc. Não sei se elas tinham tomado um aperitivo a mais, de formas que considero encaminhado o lançamento no sábado, o dia em que não vai faltar Estuário para ninguém, nem pra mim.

A capa foi elogiadíssima, bem como a apresentação do magro Valadares, que se empolgou tanto, que falou até de crônicas que ainda não foram publicadas, deixando o leitor curioso sobre esses textos do futuro.

Acuso ausências fundamentais – tia Flocely, Vital, Valzinho, o mano Paulinho, Emília, Lucila, entre outros e outras, a lista é grande. Mas os que estavam por lá me pareciam bem contentes, então viva a vida.

Sábado a gente faz uma farra boa e assim caminha a humanidade, pelo menos a minha, a dos que amo.

Ps. após o relançamento, deixarei o livro sendo vendido em dois lugares – em seu Vital, aqui no Poço da Panela, e no Garraffus. Como levei um carão de Tarcisio, vai ficar por R$ 28,00. Se souberem de alguma livraria que tope colocar o livro por lá, agradeço.

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Lançamento de livro na Bienal

10 de outubro de 2005, às 12:25h por Samarone Lima

Amigos e amigas,

Este cabeludo que vos fala estará lançando amanhã (11/10, terça-feira), a partir das 18h03, no stand da Livro Rápido, no Centro de Convenções (Olinda), o livro “Estuário”.

O livro, editado pelos lendários Cesar Maia e Edelry Júnior, ficou robusto, com 230 páginas, e vai ser vendido pela singela quantia de R$ 25,00. A apresentação coube ao magro João Valadares. Era para ele esculhambar o trabalho, mas ele não logrou êxito, e o texto ficou melhor que as crônicas deste que vos fala.

Quem não puder ir ao citado lançamento, poderá se deslocar ao Garraffus Boteco, bar de minha propriedade, para uma confraternização simples, a partir das 20h59, movida a música boa e gente bacana. O autor pretende superar o seu próprio recorde mundial, que foi a venda de 45 exemplares de “Clamor”, ano passado, em Vitória, no Espírito Santo.

Aguardo vossa estimada presença.

Inté,

Samarone.

ps. o livro é a coletânea das crônicas publicadas no JC On Line, de junho de 2004 a junho de 2005.

ps. o Garraffus fica na rua Conselheiro Nabuco, 21, Casa Amarela. Vá pela Estrada do Encanamento, entre à direita no segundo semáforo, depois entre na segunda rua à direita. O bar fica defronte ao colégio Apoio.

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